"O tornas-te o que tu és": sua correspondência no educar-se a si mesmo

Maria dos Remédios de Brito

Resumo


Não é possível negar que ainda a formação dominante em nossas instituições é a pedagogia técnico-científica e moralizante. O discurso pedagógico é aquele que ainda deve manter o discente sob controle, em que a distância deve ser mantida sob a perspectiva da objetivação do ensinar. Uma educação para as prescrições, para a utilidade social, sob a pretensão da verdade e das certezas absolutas. Essa forma de pedagogia instaura uma espécie de arrogância daqueles que sabem e dos que não sabem. Isso caracteriza um tipo de formação moralizante, que impõe um determinado saber e negligencia um itinerário singular e individual e essa formação tem, de certa forma, forjado cada vez mais o abismo entre o mundo e o indivíduo, pois se fortalece em uma perspectiva objetivista, fria e mórbida. Com isso, importância da Filosofia da Educação se faz por caracterizar seu valor de expressão, de colocar sob reflexão as condutas, as práticas, as inferências educativas pelos quais a pedagogia ainda está envolvida para se pensar um tipo de formação para além da mediocridade instrumental. Por isso, o presente texto objetiva fazer algumas breves considerações a respeito do entendimento de Nietzsche sobre a fórmula pindárica “tornas-te o que tu és”, o que leva a pensar a maneira com que o filósofo (Nietzsche) percebe uma educação para a singularidade, longe de formação instrumental. Pode-se dizer que o dictum de Píndaro "Chegar a ser o que tu és" ou "Tornas-te o que tu és" ou "Torna-se o que se é", ou ainda "Alguém que se torna o que é" toma um lugar fundamental no pensamento de Nietzsche. Para o estudo, tomam-se algumas obras como referência básica: "Schopenhauer como Educador", “Assim Falou Zaratustra” nas seções "O convalescente" e "Na oferenda do mel", até a sua autobiografia "Ecce Homo". Entrementes, quer-se ressaltar, propriamente, o que o dictum de Píndaro pode significar para Nietzsche e o que tem de importância para se pensar o processo de educar-se a si mesmo. Tal perspectiva de interpretação vai de encontro às concepções normativas tradicionais e impessoais de formação e propõe que a grande tarefa do homem consiste em encontrar o seu próprio caminho, que leve cada um a encontrar suas próprias metas, suas próprias tábuas de valores, ou seja, o seu “chegar ao que se é” em uma viagem de superação constante no seu percurso de formação singular, que não quer a prisão do “ser é”, mas o exercício de experimentação de si mesmo.

Palavras-Chave: Nietzsche, Tornas-te o que tu és, formação, educação, singularidade

Palavras-chave


Educação; Ciências Humanas

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DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n27.2295

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