Fatores críticos de sucesso na gestão de projetos: Análise dos indicadores que constituem os predecessores da estratégia, pessoas e operações

Ronielton Rezende Oliveira, José Elenilson Cruz, Roniton Rezende Oliveira

Resumo


Fatores Críticos de Sucesso (FCS) representam práticas que, quando bem executadas, contribuem para aumentar as probabilidades de êxito de qualquer atividade. Na gestão de projetos podem ser utilizados para acompanhamento dos projetos, tomada de decisão e avaliação de desempenho. O estudo de abordagem quantitativa e natureza descritiva, através de survey aplicada em 115 profissionais envolvidos na gestão de projetos, identifica, dentre os indicadores utilizados para mensurar os construtos estratégia, pessoas e operações, aqueles FCS que são mais importantes para explicar o desempenho do Project Management Office, para, então, com base na relação importância-desempenho discutir os fatores que correspondem a FCS no que se refere a gestão de projetos. A pesquisa utilizou a Partial Least Squares Structural Equation Modeling e o Importance-Performance Map Analysis. Os resultados mostram que a estratégia é o preditor mais importante e seus principais FCS são a metodologia de gerenciamento de projetos, a estrutura organizacional, o alinhamento de intenções e a viabilidade econômico-financeira. Nas operações, os principais FCS são a estabilidade do ambiente de projetos sobre o gerenciamento de riscos, o sistema de gestão da qualidade, as métricas de desempenho, as auditorias e verificações das entregas e a comunicação com as partes interessadas. Para as pessoas, os principais FCS são a aquisição de competências em gestão de projetos e o treinamento dos recursos humanos, ambos na perspectiva de disseminação do conhecimento vinculado as boas práticas, metodologias, ferramentas e técnicas que favorecem a execução dos projetos.

Palavras-chave


Gestão de Projetos; PMO; Desempenho; PLS-SEM; IPMA

Texto completo:

PDF

Referências


Aagaard, A., Eskerod, P., & Madsen, E. S. (2015). Key drivers for informal project coordination among sub-contractors. International Journal of Managing Projects in Business, 8(2), 222-240.

Abe, C. K., & Carvalho, M. M. (2006). Fatores críticos para a implementação do escritório de projetos: Um estudo de caso. Gestão da Produção, Operações e Sistemas, 2(1), 61-74.

Albertin, A. L. (2001). Valor estratégico dos projetos de tecnologia de informação. Revista de Administração de Empresas, 41(3), 42-50.

Almeida, E., Oliveira, I. G., & Santos, M. A. (2011). Desenvolvimento e capacitação de pessoas. Revista Visão Acadêmica, 3(1), 89-101.

Almeida, F. C., Machado Neto, A. J., & Giraldi, J. d. (2006). Estrutura e estratégia: Evolução de paradigmas. Revista de Gestão, 13(2), 15-26.

Aragon, I. B., & Valle, R. S. (2013). Does training managers pay off? International Journal of Human Resource Management, 24(8), 1671-1684.

Barbalho, S. C., Silva, G. L., & Toledo, J. C. (2017). The impact analysis of functions of project management office on performance of triple constraint of new-product development projects. Dirección y Organización, 61(1), 19-31.

Bayiley, Y. T., & Teklu, G. K. (2016). Success factors and criteria in the management of international development projects. International Journal of Managing Projects in Business, 9(3), 562-582.

Bouer, R., & Carvalho, M. M. (2005). Metodologia singular de gestão de projetos: Condição suficiente para a maturidade em gestão de projetos? Produção, 15(3), 347-361.

Cleland, D. I., & Ireland, L. (2006). Project management: Strategic design and implementation (5 ed.). New York: McGraw Hill.

Cleland, D. I., Puerzer, R., Bursic, K. M., & Vlasak, A. Y. (Eds.). (1997). Project managenent casebook. New York: John Willey & Sons.

Cohen, J. (1992a). A power primer. Psychological Bulletin, 112(1), 155-159.

Cohen, J. (1992b). Statistical power analysis. Current Directions in Psychological Science, 1(3), 98-101.

Cooke-Davies, T. (2002). The ‘‘real’’ success factors on projects. International Journal of Project Management, 20(3), 185-190.

Cooper, R. G., Edgett, S. J., & Kleinschmidt, E. J. (2004). Benchmarking: Best NPD practices - II. Research Technology Management, 47(3), 50-59.

Cruz, J. E., & Porto, R. B. (2016). Desempenho social e financeiro de pequenas e médias empresas: Modelo conceitual de causa e efeito. Revista Ibero-Americana de Estratégia, 15(2), 60-70.

Eiras, F. C., Tomomitsu, H. T., Linhares, I. M., & Carvalho, M. M. (2017). Evolução das pesquisas de gestão de projetos: Um estudo bibliométrico do International Journal of Project Management. Gestão da Produção, Operações e Sistemas, 12(1), 211-234.

Ernst, H. (2002). Success factors of new product development: A review of the empirical literature. International Journal of Management Review, 4(1), 1-40.

Fleury, M. T., & Fleury, A. (2001). Construindo o conceito de competência. Revista de Administração Contemporânea, 5(Especial), 183-196.

Freund, Y. P. (1988). Critical success factors. Planning Review, 16(4), 20-23.

Gardiner, P. D., & Stewart, K. (2000). Revisiting the golden triangle of cost, time and quality: The role of NPV in project control success and failure. International Journal of Project Management, 18(4), 251-256.

Guelbert, M., Guelbert, T. F., Merino, E. A., Leszczynski, S. A., & Guerra, J. C. (2008). Treinamento e Desenvolvimento: Mais do que uma vantagem competitiva para as organizações. Encontro Nacional de Engenharia de Produção (pp. 1-14). Rio de Janeiro: ABEPRO.

Hair Jr., J. F., Hult, G. T., Ringle, C. M., & Sarstedt, M. (2017). A primer on partial least squares structural equation modeling (PLS-SEM) (2 ed.). Thousand Oaks: Sage.

Hobbs, B., Aubry, M., & Thuillier, D. (2008). The project management office as an organisational innovation. International Journal of Project Management, 26(5), 547-555.

Ika, L. A., Diallo, A., & Thuillier, D. (2011). The empirical relationship between success factors and dimensions: The perspectives of World Bank project supervisors and managers. International Journal of Managing Projects in Business, 14(4), 711-719.

Jain, P., Vyas, V., & Chalasani, D. P. (2016). Corporate social responsibility and financial performance in SMEs: A structural equation modelling approach. Global Business Review, 17(3), 630-653.

Kahn, K. B., Barczak, G., & Moss, R. (2006). Perspective: Establishing an NPD best practices framework. Journal of Product Innovation Management, 23(2), 106-116.

Kerzner, H. (2006). Gestão de projetos: As melhores práticas (2 ed.). Porto Alegre: Bookman.

Kerzner, H. (2011). Gerenciamento de projetos: Uma abordagem sistêmica para planejamento, programação e controle. São Paulo: Blucher.

King, W. R. (1993). The role of projects in the implementation of business strategy. In D. I. Cleland, & W. R. King (Eds.), Project management handbook (pp. 129-139). New York: Van Nostrand Reinhold.

Lacombe, B. M., & Tonelli, M. J. (2001). O discurso e a prática: O que nos dizem os especialistas e o que nos mostram as práticas das empresas sobre os modelos de gestão de recursos humanos. Revista de Administração Contemporânea, 5(2), 157-174.

Lee, J., Lee, J., & Souder, W. E. (2000). Differences of organizational characteristics in new product development cross-cultural comparison of Korea and US. Technovation, 20(9), 497-508.

Liu, A. Z., & Seddon, P. B. (2009). Understanding how project critical success factors affect organizational benefits from enterprise systems. Business Process Management Journal, 15(5), 716-743.

Low, S. P., Gao, S., & Tay, W. L. (2014). Comparative study of project management and critical success factors of greening new and existing buildings in Singapore. Structural Survey, 32(5), 413-433.

Machado, F. J., & Martens, C. D. (2015). Project management success: A bibliometric analisys. Revista de Gestão e Projetos, 6(1), 28-44.

Martens, M. L., & Carvalho, M. M. (2017). Key factors of sustainability in project management context: A survey exploring the project managers’ perspective. International Journal of Project Management, 35(6), 1084-1102.

Meredith, J. R., & Mantel Jr., S. J. (2009). Project management a managerial approach. New York: John Wiley & Sons.

Mintzberg, H., Ahlstrand, B., & Lampel, J. (2010). Safari de estratégia: Um roteiro pela selva do planejamento estratégico (2 ed.). Porto Alegre: Bookman.

Moreira, D. A. (2012). Administração da produção e operações (2 ed.). São Paulo: Cengage Learning.

Müller, R., & Jugdev, K. (2012). Critical success factors in projects. International Journal of Managing Projects in Business, 5(4), 757-775.

Nejati, M., Quazi, A., Amran, A., & Ahmad, N. H. (2017). Social responsibility and performance: Does strategic orientation matter for small businesses? Journal of Small Business Management, 55(1), 43-59.

Nelling, E., & Webb, E. (2009). Corporate social responsibility and financial performance: The “virtuous circle” revisited. Review of Quantitative Finance and Accounting, 32(2), 197-209.

Nicolau, I. (20 de setembro de 2001). O conceito de estratégia. Instituto para o Desenvolvimento da Gestão Empresarial, INDEG/ISCTE. Acesso em 08 de março de 2018, disponível em https://bit.ly/2IO4XXW

Oliveira, R. R. (2013). Antecedentes do desempenho do Escritório de Gerenciamento de Projetos: estratégia, pessoas e operações - uma proposta de modelo conceitual. Dissertação (Mestrado em Sistemas de Informação e Gestão do Conhecimento), Universidade FUMEC, Belo Horizonte.

Oliveira, R. R., & Martins, H. C. (2018). Estratégia, pessoas e operações como agentes influenciadores do desempenho do escritório de gerenciamento de projetos: Uma análise por meio da modelagem de equações estruturais. Gestão & Produção, 25(2), 410-429. doi:10.1590/0104-530x2294-16

Oliveira, R. R., Boldorini, P. S., Martins, H. C., & Dias, A. T. (2016). Gerenciamento de projetos: Comparativo bibliométrico dos anais de congressos brasileiros nas áreas de administração e engenharia de produção. Revista de Gestão e Projetos, 7(1), 15-31.

Oliveira, R. R., Boldorini, P. S., Teixeira, L. A., & Martins, H. C. (2017). Gestão de projetos e marketing de relacionamento: Interseções para o gerenciamento das partes interessadas em projetos. Iberoamerican Journal of Project Management, 8(1), 46-67.

Oliveira, R. R., Cruz, J. E., Oliveira, R. R., & Martins, H. C. (2018). As capacidades dinâmicas da gestão de projetos distinguem o desempenho do departamento de projetos? Análise multi-grupo dos níveis estratégico, tático e operacional. Tourism & Management Studies International Conference - TMS ALGARVE (pp. 1-11). Faro: UAlg ESGHT.

Oliveira, R. R., Gonçalves, C. A., & Martins, H. C. (2017). Desempenho organizacional: Integração do modelo valor, raridade, imitabilidade e organização com a gestão de projetos. Contabilidade, Gestão e Governança, 20(2), 252-275.

Oliveira, R. R., Marinho, M. F., & Dias, A. T. (2016). Um estudo sobre a utilização da modelagem de equações estruturais na produção cientifica nas áreas de administração e sistemas de informação. Revista de Administração da UFSM, 9(4), 559-578.

Oliveira, R. R., Martins, H. C., & Dias, A. T. (2018). A gestão do portfólio de projetos e a teoria dos custos de transação: Proposições teóricas. Gestão & Planejamento, 19(1), 137-158.

Oliveira, R. R., Martins, H. C., Dias, A. T., & Monteiro, P. R. (2014). Uma proposta de instrumento de pesquisa para a avaliação do desempenho do escritório de gerenciamentos de projetos. Revista de Gestão e Projetos, 5(1), 84-99. doi:10.5585/gep.v5i1.222

Oliveira, R. R., Martins, H. C., Oliveira, R. R., Dias, A. T., & Gonçalves, C. A. (2018). Desempenho do escritório de gerenciamento de projetos: Um estudo comparativo entre as organizações nacionais e internacionais. Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (pp. 1-17). Rio de Janeiro: ANPAD.

Paquin, J.-P., Tessier, D., & Gauthier, C. (2015). The effectiveness of portfolio risk diversification: An additive approach by project replication. Project Management Journal, 46(5), 94-110.

Patah, L. A., & Carvalho, M. M. (2009). Alinhamento entre estrutura organizacional de projetos e estratégia de manufatura: Uma análise comparativa de múltiplos casos. Gestão & Produção, 16(2), 301-312.

Pinto, S. A. (2002). Gerenciamento de projetos: Análise dos fatores de risco que influem o sucesso de projetos de sistemas de informação. Tese (Doutorado em Administração), Universidade de São Paulo, São Paulo.

Poli, M., & Shenhar, A. J. (2003). Project strategy: The key to project success. Technology Management for Reshaping the World. Portland International Conference (pp. 231-235). New York: IEEE.

Ramos-Rodríguez, A.-R., & Ruíz-Navarro, J. (2004). Changes in the intellectual structure of strategic management research: A bibliometric study of the Strategic Management Journal, 1980-2000. Strategic Management Journal, 25(10), 981-1004.

Rezende, L. B., Blackwell, P., & Gonc¸alves, M. D. (2018). Research focuses, trends, and major findings on project complexity: A bibliometric network analysis of 50 years of project complexity research. Project Management Journal, 49(1), 42-56.

Robic, A. R., & Sbragia, R. (1996). Sucesso em projetos de informatização: Critérios de avaliação e fatores condicionantes. Economia & Empresa, 2(3), 4-16.

Santos, L. C., Gohr, C. F., & Varvakis, G. (2012). Prioridades competitivas para a estratégia de operações de serviços: Uma análise dos critérios de valor percebido de uma academia de ginástica. Revista Produção Online, 12(1), 133-158.

Skinner, W. (2007). Manufacturing strategy: The story of its evolution. Journal of Operations Management, 25(2), 328-335.

Slack, N., Chambers, S., & Johnston, R. (2009). Administração da produção (3 ed.). São Paulo: Atlas.

Spalek, S. (2014). Success factors in project management: Literature review. International Technology, Education and Development Conference (pp. 1-8). Valencia: IATED.

Srivannaboon, S. (2006). Linking project management with business strategy. Project Management Journal, 37(5), 88-96.

Stoian, C., & Gilman, M. (2017). Corporate social responsibility that “pays”: A strategic approach to CSR for SMEs. Journal of Small Business Management, 55(1), 5-31.

Storey, J. (2007). What is strategic HRM? In J. Storey (Ed.), Human resource management: A critical text (3 ed., pp. 59-78). London: Thomson Learning.

Streukens, S., Werelds, S. L., & Willems, K. (2017). Dealing with nonlinearity in importance-performance map analysis (IPMA): An integrative framework in a PLS-SEM context. In H. Latan, & R. Noonan (Eds.), Partial least squares structural equation modeling: Basic concepts, methodological issues and applications (pp. 367-403). New York: Springer.

Toledo, J. C., Silva, S. L., Mendes, G. H., & Jugend, D. (2008). Fatores críticos de sucesso no gerenciamento de projetos de desenvolvimento de produto em empresas de base tecnológica de pequeno e médio porte. Gestão & Produção, 15(1), 117-134.

Van-der-Laan, G., Ees, H. V., & Witteloostuijn, A. V. (2008). Corporate social and financial performance: An extended stakeholder theory, and empirical test with accounting measures. Journal of Business Ethics, 79(3), 299-310.

Venson, A. B., Fiates, G. G., Dutra, A., Carneiro, M. L., & Martins, C. (2013). O recurso mais importante para as organizações são mesmo as pessoas? Uma análise da produção científica sobre qualidade de vida no trabalho (QVT). Revista de Administração da UFSM, 6(1), 139-158.

Waddock, S. A., & Graves, S. B. (1997). The corporate social performance-financial performance link. Strategic Management Journal, 18(4), 303-319.

Xavier, C. M., Vivacqua, F. R., Macedo, O. S., & Xavier, L. F. (2014). Metodologia de gerenciamento de projetos METHODWARE: Abordagem prática de como iniciar planejar, executar, controlar e fechar projetos (3 ed.). Rio de Janeiro: Brasport.




DOI: https://doi.org/10.5585/gep.v9i3.11263

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2018 Ronielton Rezende Oliveira, José Elenilson Cruz



Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença
Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

GeP – Revista Gestão e Projetos
ISSN da versão eletronica: 2236-0972
http://www.revistagep.org