Sentidos da reprodução escolar: um olhar da teoria sociológica clássica para os dilemas e contradições da reprodução escolar e a alternativa das “escolas transformadoras"
DOI:
https://doi.org/10.5585/2025.28102Palavras-chave:
sociologia da educação, escolas transformadoras, educação, reprodução socialResumo
O objetivo deste artigo é analisar, a partir dos referências da sociologia clássica (o triunvirato Marx, Weber e Durkheim) e contemporânea (mais precisamente os autores filiados à tradição francesa), o fenômeno das escolas transformadoras, e como suas práticas, em princípio bastante promissoras, apenas reproduzem a dinâmica do capitalismo em sua face contemporânea, no qual os discursos divergentes são processados em propagandas e outras estratégias que minam qualquer tentativa de efetiva horizontalidade nas relações entre estudantes e educadores. O sentido do espírito crítico e criativo é destinado ao uso, por vezes instrumental, da elite do poder, no qual habitus e estratégias são mobilizados para garantir que as posições se mantenham ou ocorra uma mobilidade social controlada via fundações de bilionários, com a adoção de técnicas pedagógicas não raro destinadas originalmente às classes populares, entre outras iniciativas do gênero. Embora não seja possível fazer uma transposição da realidade das pesquisas realizadas na Europa e nos Estados Unidos, é possível encontrar pontos de contato vigorosos e consolidados.
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