A Educação e os aforismos como Cartografia do Indizível: uma leitura dos aforismos nas obras Silêncio e Paisagem Lunar de Marco Lucchesi

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5585/2025.29776

Palavras-chave:

educação, literatura, Marco Lucchesi

Resumo

O fragmento repele a lógica do excesso. Repousa, ativo nas artérias da síntese (Lucchesi, 2021, p. 18)

1 Introdução

Há escritores cuja obra não apenas se inscreve na tradição literária, mas a desloca suavemente de seu eixo, como quem sussurra algo imperceptível no centro de uma praça ruidosa. Marco Lucchesi é um desses raros arquitetos da linguagem que, ao invés de construir catedrais de certezas, ergue delicadas estruturas de silêncio e espanto. Seus aforismos não encerram um pensamento — ao contrário, abrem brechas por onde a realidade escapa, ora com a leveza da ternura, ora com a densidade da ausência. Em livros como Silêncio (2024) e Paisagem Lunar (2021), Lucchesi abraça a forma breve dos aforismos não para simplificar o mundo, mas para devolver-lhe sua complexidade essencial, fazendo da linguagem poética um campo de ressonância e recolhimento, que abrigam inúmeras possibilidades de aplicação como estratégias nos espaços educativos da Escola Básica.
Este ensaio propõe-se a mergulhar nesse universo de palavras rarefeitas, compreendendo o aforismo em Lucchesi como gesto poético, educativo, filosófico e ético — uma poética do essencial, que confia na brevidade como potência e na lacuna como revelação. Partimos da convicção de que o aforismo lucchesiano é mais do que uma forma: é um modo de estar no mundo, uma escrita que ouve antes de dizer, que pensa por ressonância e que medita por aproximações. Ao articular silêncio e palavra, Lucchesi transforma cada fragmento em um ritual de escuta, em uma celebração do intervalo entre o dizer e o não dizer. Como afirma Roland Barthes, “o fragmento é o lugar da paixão da linguagem” (Barthes, 1973, p. 41) — e é com essa paixão contida, disciplinada e ardente, que se edifica o pensamento aforístico do autor e justifica nossa busca por uma compreensão mais aprofundada sobre a arquitetura da sua poética.

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Biografia do Autor

Nádia Conceição Lauriti, Universidade Nove de Julho (UNINOVE), Programa de Mestrado e Doutorado em Gestão e Práticas Educacionais (PROGEPE/UNINOVE), São Paulo, SP, Brasil

Professora da pós-graduação stricto-sensu na Universidade Nove de Julho do Programa de Mestrado em Gestão e Práticas Educacionais (PROGEPE/UNINOVE). Doutora em Educação pela Universidade Nove de Julho (2018). Mestra em em Língua Portuguesa pela PUC/SP (1990). Especialista em Avaliação Institucional (2002) pela UnB. Especialista em Programação Neurolinguística (1996) pela UNAERP. Especialista em Linguística/Semântica e Filologia (1975) pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Oswaldo Cruz. Especialista em Língua Francesa e Literatura Portuguesa (1973) pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Oswaldo Cruz. Graduada em Pedagogia pela Universidade Nove de Julho (1979) e em Letras (1972) pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Oswaldo Cruz. Jornalista profissional com MTB/DRT/SP nº 46219.010137/02-98. Foi colaboradora - NCE/ECA da Universidade de São Paulo (USP). Professora universitária da Universidade Nove de Julho há mais de 40 anos. Membro da Comissão Própria de Avaliação (CPA) da Universidade Nove de Julho desde de 1998. Integrante do Núcleo Docente Estruturante (NDE) do curso de Pedagogia. Líder de pesquisa do GRUPAVE (Grupo de Pesquisa em Avaliação Educacional) vinculado ao LIPIGES (PROGEPE/UNINOVE). Avaliadora do periódico DIALOGIA da Universidade Nove de Julho (UNINOVE).

Referências

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Publicado

12.11.2025

Como Citar

LAURITI, Nádia Conceição. A Educação e os aforismos como Cartografia do Indizível: uma leitura dos aforismos nas obras Silêncio e Paisagem Lunar de Marco Lucchesi. EccoS – Revista Científica, [S. l.], n. 75, p. e29776, 2025. DOI: 10.5585/2025.29776. Disponível em: https://periodicos.uninove.br/eccos/article/view/29776. Acesso em: 12 dez. 2025.
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