Uso da Inteligência Artificial para estudantes negros e pardos do ensino superior: a necropolítica, o racismo algorítmico e a exclusão como questão ética

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5585/2025.29796

Palavras-chave:

exclusão, morte digital, letramento digital, racismo algorítmico

Resumo

Neste artigo, objetiva-se analisar o uso da Inteligência Artificial (IA) no Ensino Superior como condição tecnológica que parece democratizar o conhecimento, mas que simultaneamente ameaça aprofundar desigualdades históricas existentes. Trata-se de uma reflexão inicial, resultado de uma pesquisa em andamento, acerca de conceitos como o racismo abordado no Movimento Negro Educador (Gomes, 2017), a integração híbrida (Fernandes, 2021), o letramento racial e a necroalgoritmização (Araújo, 2025), com enfoque na realidade de estudantes universitários pretos e pardos. Articula-se, ainda, uma discussão sobre como essas novas ferramentas tecnológicas estão sendo acessadas por esses estudantes, que, com as políticas de ações afirmativas, começaram a mudar o perfil dos ingressantes nas universidades. Conclui-se que a superação desse desafio transcende soluções técnicas, exigindo letramento racial e políticas institucionais que reconheçam as estratégias de resistência desses estudantes, bem como a profundidade da contínua disputa por equidade no Ensino Superior. Ao iluminar as barreiras de acesso, as tensões éticas e as estratégias de resistência mobilizadas no cotidiano acadêmico, este estudo contribui para compreender como o avanço tecnológico reatualiza desigualdades estruturais e evidencia a urgência de respostas coletivas e transformadoras.

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Biografia do Autor

Augusto Fagundes dos Santos, Universidade São Francisco (USF), Itatiba, São Paulo, Brasil

Mestrando em Educação. Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Professor da Rede Pública Municipal de Ensino de Itatiba. Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisa em Ética, Política e História da Educação Brasileira (GEPHEB/USF).

Sônia Aparecida Siquelli, Universidade São Francisco (USF), Itatiba, São Paulo, Brasil

Pós-doutoramento em Educação, na linha de pesquisa História e Filosofia da Educação, pela Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Doutora em Educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Docente do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da USF. Líder do Grupo de Estudos e Pesquisa em Ética, Política e História da Educação Brasileira (GEPHEB/USF) - soniapsiquelli@gmail.com

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Publicado

02.12.2025

Como Citar

SANTOS, Augusto Fagundes dos; SIQUELLI, Sônia Aparecida. Uso da Inteligência Artificial para estudantes negros e pardos do ensino superior: a necropolítica, o racismo algorítmico e a exclusão como questão ética. EccoS – Revista Científica, [S. l.], n. 75, p. e29796, 2025. DOI: 10.5585/2025.29796. Disponível em: https://periodicos.uninove.br/eccos/article/view/29796. Acesso em: 16 dez. 2025.

Edição

Seção

Dossiê 75 - Os desafios da Inteligência Artificial (IA) para a educação
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