O uso da inteligência artificial na educação brasileira: promessas e ruínas de um país dependente
DOI:
https://doi.org/10.5585/2025.29802Palavras-chave:
alienação, educação, inteligência artificial, precarização, universidadeResumo
Este artigo examina criticamente o lugar da Inteligência Artificial (IA) na educação brasileira, articulando-a às contradições de um país marcado pela dependência estrutural, pela financeirização das universidades e pela precarização do trabalho docente. A análise evidencia que a IA não chega como recurso neutro, mas como tecnologia que intensifica dispositivos de vigilância, padronização e captura do tempo de vida, convertendo a docência em rotina cronometrada e a aprendizagem em métrica de eficiência. Nas escolas públicas, a ausência de infraestrutura e a imposição de plataformas reduzem a experiência pedagógica a simulações de aprendizagem, enquanto nas universidades a dualidade entre centros de excelência e cursos precarizados aprofunda desigualdades, corroendo o sentido público do ensino. Adoecimento físico e psíquico, alienação material e simbólica e perda da autonomia intelectual emergem como sintomas de um modelo que transforma conhecimento em ativo reputacional e reputação em moeda acadêmica. O estudo, de natureza crítica e reflexiva, sustenta que a disputa pelo futuro da educação coincide com a disputa pelo sentido da inteligência, reafirmando a necessidade de uma ética do comum capaz de recuperar a centralidade da palavra, da criação e da liberdade.
Downloads
Referências
ANDES-SN. Relatório Nacional sobre Condições de Trabalho Docente nas Universidades Públicas. Brasília: Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior, 2023. Disponível em: https://www.andes.org.br/diretorios/files/Beregeno/PDF4/
Relat%C3%B3rio-%20EN-sa%C3%BAde-docente.pdf Acesso em: 02 set. 2025.
ANTUNES, Ricardo. O privilégio da servidão: o novo proletariado de serviços na era digital. São Paulo: Boitempo, 2020.
CAPES – COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR. Programas da pós-graduação stricto sensu no Brasil, dados abertos 2021–2024. Brasília: CAPES, 2024. Disponível em: https://dadosabertos.capes.gov.br/. Acesso em: 02 set. 2025.
DARDOT, Pierre; LAVAL, Christian. Comum: ensaio sobre a revolução no século XXI. São Paulo: Boitempo, 2017.
FERNANDES, Florestan. A revolução burguesa no Brasil: ensaio de interpretação sociológica. São Paulo: Editora Globo, 2006.
FARGONI, Everton Henrique Eleutério. Ciência, trabalho e a fuga de cérebros do brasil. Trabalho & Educação, Belo Horizonte, v. 32, n. 2, p. 101–115, 2023.
FRASER, Nancy. Capitalismo canibal: como o nosso sistema devora a democracia, o cuidado e o planeta – e o que podemos fazer a respeito. São Paulo: Boitempo, 2022.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1987.
FRIGOTTO, Gaudêncio. Educação e a crise do capitalismo real. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2018.
HAN, Byung-Chul. Psicopolítica: neoliberalismo e novas técnicas de poder. Petrópolis: Vozes, 2022.
IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Síntese de Indicadores Sociais (2023). Rio de Janeiro: IBGE, 2023.
INEP – INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. Censo Escolar da Educação Básica 2023: resultados consolidados. Brasília: INEP, 2023.
JENKINS, Henry. Cultura da convergência: onde os velhos e os novos meios colidem. São Paulo: Aleph, 2022.
MARINI, Ruy Mauro. Dialética da dependência. São Paulo: Boitempo, 2005.
MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2004.
MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. Livro I: o processo de produção do capital. São Paulo: Boitempo, 2013.
OLIVEIRA, Francisco de. O ornitorrinco. São Paulo: Boitempo, 2003.
PAULANI, Leda Maria. Brasil Delivery: política econômica sem blindagem. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2008.
PRADO, Eleutério. Da lógica da crítica da Economia Política. São Paulo: Lutas Anticapital, 2022.
ROUSSEAU, Jean Jacques. Emílio, ou da educação. São Paulo: Edipro, 2022.
SAGAN, C. O mundo assombrado pelos demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. In: SANTOS, B. S.; MENESES, M. P. (orgs.). Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010.
SILVA JÚNIOR, João dos Reis. Universidade Inacabada: Razão e Precariedade. Campinas: Editora Mercado de Letras, 2025.
STIEGLER, Bernard. Pour une nouvelle critique de l’économie politique. Paris: Galilée, 2009.
TURING, Allan. Systems of Logic Based on Ordinals. Princeton: Princeton University Press, 1939.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 João dos Reis Silva Júnior, Everton Henrique Eleutério Fargoni

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.
- Resumo 109
- pdf 60

