O uso da inteligência artificial na educação brasileira: promessas e ruínas de um país dependente

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5585/2025.29802

Palavras-chave:

alienação, educação, inteligência artificial, precarização, universidade

Resumo

Este artigo examina criticamente o lugar da Inteligência Artificial (IA) na educação brasileira, articulando-a às contradições de um país marcado pela dependência estrutural, pela financeirização das universidades e pela precarização do trabalho docente. A análise evidencia que a IA não chega como recurso neutro, mas como tecnologia que intensifica dispositivos de vigilância, padronização e captura do tempo de vida, convertendo a docência em rotina cronometrada e a aprendizagem em métrica de eficiência. Nas escolas públicas, a ausência de infraestrutura e a imposição de plataformas reduzem a experiência pedagógica a simulações de aprendizagem, enquanto nas universidades a dualidade entre centros de excelência e cursos precarizados aprofunda desigualdades, corroendo o sentido público do ensino. Adoecimento físico e psíquico, alienação material e simbólica e perda da autonomia intelectual emergem como sintomas de um modelo que transforma conhecimento em ativo reputacional e reputação em moeda acadêmica. O estudo, de natureza crítica e reflexiva, sustenta que a disputa pelo futuro da educação coincide com a disputa pelo sentido da inteligência, reafirmando a necessidade de uma ética do comum capaz de recuperar a centralidade da palavra, da criação e da liberdade.

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Biografia do Autor

João dos Reis Silva Júnior, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Departamento de Educação, São Carlos, São Paulo, Brasil

Possui graduação na Escola de Engenharia de São Carlos pela Universidade de São Paulo (1982), mestrado em Administração pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1988) e doutorado em História e Filosofia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1992). Pós-Doutorado em Sociologia Política pela Unicamp (1999-2000), Pós-doutorado em Economia na USP e University of London, Livre-Docente em Educação pela USP, Professor Titular da Universidade Federal de São Carlos, coordenador adjunto do projeto de pesquisa da Rede Universitas/Br "Políticas, gestão e direito à educação superior: novos modos de regulação e tendências em construção", pesquisador convidado - Mercer University (GA-US) e Professor Visitante na condição de Full Professor na Arizona State University (2014-2015), onde mantém pesquisa em andamento com Daniel Schugurenscky. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em educação e trabalho, reforma do estado, educação superior brasileira, politica educacional e internacionalização da educação superior brasileira no contexto das relações entre Brasil e Estados Unidos da América. Membro do Comitê de Assessoramento de Educação do CNPq (CA-ED) junho/2020 a junho/2022, bolsista produtividade CNPq 1A.

Everton Henrique Eleutério Fargoni, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Departamento de Educação, São Carlos, São Paulo, Brasil

Professor e Pesquisador. Doutor em Educação (UFSCar). Mestrado em Educação (UFSCar). Pedagogo (UFSCar). Licenciado em História e Filosofia. Pesquisador na Rede Nacional Universitas/BR - Eixo Produção de Conhecimento na Educação Superior. Pesquisador e Professor em Estudos em Economia Política da Educação e Formação Humana (GEPEFH/UFSCar).

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Publicado

02.12.2025

Como Citar

SILVA JÚNIOR, João dos Reis; FARGONI, Everton Henrique Eleutério. O uso da inteligência artificial na educação brasileira: promessas e ruínas de um país dependente. EccoS – Revista Científica, [S. l.], n. 75, p. e29802, 2025. DOI: 10.5585/2025.29802. Disponível em: https://periodicos.uninove.br/eccos/article/view/29802. Acesso em: 16 dez. 2025.

Edição

Seção

Dossiê 75 - Os desafios da Inteligência Artificial (IA) para a educação
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