A quem interessa nosso medo da Inteligência Artificial (IA)?: colonialidade, poder e educação
DOI:
https://doi.org/10.5585/2025.29804Palavras-chave:
colonialidade, educação, inteligência artificialResumo
Este artigo desenvolve uma reflexão sobre os interesses por trás da disseminação do medo em relação à Inteligência Artificial (IA) e seus impactos na vida social e na educação. Parte-se do princípio de que vivemos sob uma lógica hegemônica que é patriarcal e capitalista, promovendo a reprodução e o fortalecimento de estruturas herdadas do colonialismo; assim, permanecemos imersos em uma colonialidade do poder. Nesse contexto, analisa-se o controle da IA pelas big techs e seus Chief AI Officers (CAIOs), agentes motivados por interesses econômicos e pela manutenção do status quo. A investigação demonstra como a colonialidade se manifesta no ambiente digital, ilustrada pelo anúncio de uma “ministra virtual” nomeada na Albânia em 2025. Este exemplo evidencia problemas ético-políticos como a tecnocracia e a ilusão de neutralidade na tomada de decisões. Argumenta-se que as ferramentas digitais “tomam” decisões baseadas exclusivamente em dados e não por meio da experienciação humana, sua ética reflete os valores das empresas que a controlam. Diante disso, o estudo direciona sua análise para o campo educacional, propondo que a superação da colonialidade tecnológica somente é possível mediante um trabalho educativo “suleado” pela formação crítica e emancipatória. Conclui-se que o temor em relação à IA interessa àqueles que dirigem sua aplicação e estabelecem um ambiente controlado conforme seus interesses econômicos e de dominação.
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