A quem interessa nosso medo da Inteligência Artificial (IA)?: colonialidade, poder e educação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5585/2025.29804

Palavras-chave:

colonialidade, educação, inteligência artificial

Resumo

Este artigo desenvolve uma reflexão sobre os interesses por trás da disseminação do medo em relação à Inteligência Artificial (IA) e seus impactos na vida social e na educação. Parte-se do princípio de que vivemos sob uma lógica hegemônica que é patriarcal e capitalista, promovendo a reprodução e o fortalecimento de estruturas herdadas do colonialismo; assim, permanecemos imersos em uma colonialidade do poder. Nesse contexto, analisa-se o controle da IA pelas big techs e seus Chief AI Officers (CAIOs), agentes motivados por interesses econômicos e pela manutenção do status quo. A investigação demonstra como a colonialidade se manifesta no ambiente digital, ilustrada pelo anúncio de uma “ministra virtual” nomeada na Albânia em 2025. Este exemplo evidencia problemas ético-políticos como a tecnocracia e a ilusão de neutralidade na tomada de decisões. Argumenta-se que as ferramentas digitais “tomam” decisões baseadas exclusivamente em dados e não por meio da experienciação humana, sua ética reflete os valores das empresas que a controlam. Diante disso, o estudo direciona sua análise para o campo educacional, propondo que a superação da colonialidade tecnológica somente é possível mediante um trabalho educativo “suleado” pela formação crítica e emancipatória. Conclui-se que o temor em relação à IA interessa àqueles que dirigem sua aplicação e estabelecem um ambiente controlado conforme seus interesses econômicos e de dominação.

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Biografia do Autor

Ofélia Maria Marcondes, Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Registro, São Paulo, Brasil

Filósofa e pedagoga com doutorado e mestrado em Filosofia da Educação pela Universidade de São Paulo - USP com estudos e pesquisas sobre filosofia na América Latina e epistemologia decolonial. Especialista em Orientação Educacional. Bacharela em Filosofia pela USP e licenciada em Pedagogia pela UMC. Estágio pós-doutoral concluído na área de Filosofia da Educação com ênfase em Filosofia Latino-americana. Professora do Instituto Federal de São Paulo - IFSP - Campus Registro. Pesquisadora e líder do grupo Mandacaru: educação e filosofia (IFSP) e membra do Grupefe: Grupo de Pesquisas em Filosofia da Educação (UNINOVE). Editora da Revista Cactácea.

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Publicado

02.12.2025

Como Citar

MARCONDES, Ofélia Maria. A quem interessa nosso medo da Inteligência Artificial (IA)?: colonialidade, poder e educação. EccoS – Revista Científica, [S. l.], n. 75, p. e29804, 2025. DOI: 10.5585/2025.29804. Disponível em: https://periodicos.uninove.br/eccos/article/view/29804. Acesso em: 12 dez. 2025.

Edição

Seção

Dossiê 75 - Os desafios da Inteligência Artificial (IA) para a educação
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