O cinema negro encontra a formação de professoras: sensibilidades interculturais, impressões pós-coloniais e reconstruções decoloniais

Fábio José Paz da Rosa, Ana Valéria de Figueiredo da Costa

Resumo


Esta pesquisa tem o intuito de compreender de quais modos as licenciandas de um curso de Pedagogia reconstroem conhecimentos diante de filmes com temáticas afro-brasileiras. Para isso, mediante a mostra da obra “A negação do Brasil” (2001), de Joel Zito Araújo, o estudo possibilitou às estudantes-espectadoras potencializar sensibilidades, impressões e reconstruções respectivamente à Interculturalidade, à Pós-Colonialidade e à Pedagogia Decolonial. A metodologia da pesquisa segue as orientações da perspectiva multi/intercultural que possibilita compreender como se constituem as pluralidades e diversidades com o intuito de contribuir para uma formação questionadora da existência das populações negras. As análises demonstraram que as espectadoras relacionaram questões da produção fílmica de acordo com suas condições enquanto mulheres e professoras responsáveis pela formação de seus filhos e alunos em uma perspectiva de questionamento e reelaboração em vista a uma epistemologia pautada em suas trajetórias e existências.

 

 


Palavras-chave


Cinema negro; Formação de professoras; Pedagogia decolonial

Texto completo:

PDF

Referências


A NEGAÇÃO do Brasil. Direção: Joel Zito Araújo. Elenco: Léa Garcia, Maria Ceiça e Milton Gonçalves, Ruth de Souza e mais. 2001. Rio de Janeiro: Estúdio de Mixagem: Equipe Estúdios Mega. 1 filme documentário (1h32min), 35mm, Colorido e P&B.

BRASIL. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo 2010. Cidades. Nova Iguaçu. Disponível em: http://cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php? lang=&codmun=330350&search=rio-de-janeiro|nova-iguacu. Acesso em: 15 Dez 2017.

BRASIL. Lei n. 10.639, de 09 de janeiro de 2003. Estabelece as diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Diário Oficial da União, Brasília, DF: Presidência da República, 09 jan. 2003.

BRASIL. Lei n. 13.006, de 26 de junho de 2014. Estabelece a exibição de filmes de produção nacional que constituirá componente curricular integrada à proposta curricular da escola sendo a sua exibição obrigatória por no mínimo duas horas mensais. Diário Oficial da União, Brasília, DF: Presidência da República, 26 jun. 2014.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE, CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. Manual operacional para comitês de ética em pesquisa. Brasília (DF): Ministério da Saúde, 2002.

CANDAU, Vera. Diferenças culturais, interculturalidade e educação em Direitos Humanos. In: Educ. Soc., Campinas, v. 33, n. 118, p. 235-250, jan.-mar. 2012.

CANDAU, Vera; OLIVEIRA, Luís Fernandes de. Pedagogia Decolonial e Educação antirracista e intercultural no Brasil. In: Educação em Revista, Belo Horizonte, vol.26, n.01, p.15-40, jan.-abr. 2010. ISSN 0102-4698.

CANEN, Alberto; IVENICKI, Ana. Metodologia da Pesquisa: rompendo fronteiras curriculares. Rio de Janeiro: Moderna, 2016.

CANEN, Ana. A pesquisa multicultural como eixo da formação docente: potenciais para a discussão da diversidade das diferenças. In: Ensaio, v.16, n.59, p. 297-308, abr/jun.2008.

GOMES, Nilma Lino. Relações étnico-raciais, educação e descolonização dos currículos. In: Revista Currículo sem Fronteiras, Belo Horizonte, vol.12, n.1, p.98-109, jan.-abr. 2012.

GOUVÊA, Fernando César Ferreira; OLIVEIRA, Luiz Fernandes de; SALES, Sandra Regina (Orgs.). Educação e Relações Étnico-Raciais: entre diálogos contemporâneos e políticas públicas. Petrópolis (RJ): De Petrus [et alii]; Brasília (DF): Capes, 2014.

HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Liv SOVIK (Org.); Tradução de Adelaine La Guardia Resende [et al.]. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

MIGNOLO, Walter. Histórias locais/ Projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Tradução de Solange Ribeiro de Oliveira. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

MIRANDA, Cláudia. Currículos decoloniais e outras cartografias para uma educação das relações étnico-raciais: desafios político-pedagógicos frente à Lei n. 10.639/2003.

PRUDENTE, Celso. Cinema Negro: Pontos reflexivos para a compreensão da importância II Conferência de intelectuais da África e da Diáspora (Ensaios). Brasília, 2011, p. 48- 50.

Revista da ABPN , v. 5, n. 11, jul.– out , p. 1.00-118, 2013.

RODRIGUES, João Carlos. O negro brasileiro e o cinema. Rio de Janeiro: Pallas, 2011.

SANTOS, Júlio César. A quem interessa um cinema negro? Revista da ABPN, v. 5, n. 9 nov.–fev., p. 98-106, 2013.

SOUZA, Edileuza Penha. Negritude, Cinema e Educação: caminhos para implementação da Lei n.10.639/2003. Belo Horizonte: Mazza, 2011.

WALSH, Catherine. Interculturalidad crítica y educación intercultural. In: VIAÑA, Jorge; WALSH, Catherine; TAPIA, Luis (Orgs.). Construyendo interculturalidad crítica. La Paz: Instituto Internacional de Integración Andrés Bello, 2009, p.75-96.




DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n55.8360

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2020 EccoS – Revista Científica

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Compartilhar igual 4.0 Internacional.

EccoS – Revista Científica

e-ISSN: 1983-9278
ISSN: 1517-1949
www.revistaeccos.org.br

EccoS – Revista Científica ©2020 Todos os direitos reservados.