Inteligência Artificial e Produção Acadêmica: Evolução ou Reprodução?
DOI:
https://doi.org/10.5585/2025.29867Palavras-chave:
pesquisa, inteligência artifical, inteligência artificial generativa, conhecimento, produção acadêmica, originalidade, IAResumo
A era digital proporciona acesso a uma enorme quantidade de informações e conhecimentos disponíveis, pois o que antes estava fisicamente guardado em bibliotecas, hoje está na Web. A Inteligência Artificial (IA) passou a ser utilizada para ajudar no uso deste conteúdo, principalmente a IA Generativa, que auxilia a buscar, armazenar, resumir e concatenar informações e conhecimentos. Os pesquisadores, agora amparados por ferramentas digitais, pedem por meio de prompts, resumos, informações e até dados. Essa nova dinâmica carrega nas facilidades digitais um problema grave com relação a validade do conhecimento disponível. Além disso, o uso da IA pode interferir na formação acadêmica de modo a que ela se torne uma mera replicação de informações, quando verdadeiros, sem geração de novos conhecimentos. A pesquisa que deveria constituir um espaço de novas ideias, debates e reflexões, que se materializa em artigos, teses e dissertações, pode virar material ficcional. Surge, então, o questionamento: “O que se tem hoje como produção acadêmica é meramente o resultado de um prompt ou um processo de pesquisa com base na leitura, fichamento, aplicação de métodos de coleta e análise e reflexão crítica?”. Com base nesse cenário, este comentário editorial objetiva levar a comunidade acadêmica a refletir sobre o desenvolvimento de competências de pesquisa e processos para a construção do conhecimento. A premissa básica para a evolução do conhecimento é que o pesquisador precisa se manter em constante desenvolvimento para exercer sua capacidade criativa e crítica, condição indispensável para o avanço científico. O pensamento crítico se forma a partir de leituras e estudos consistentes, conduzidos com postura para a reflexão, comparação de textos, opiniões e criação autoral. É preciso compreender o papel do ser humano, o pesquisador, nesse processo de transição para digitalização da pesquisa. A máquina pode auxiliar na análise e organização das informações, mas a essência da criação acadêmica depende da capacidade humana de interpretar, questionar e inovar. O desafio está em utilizar a IA como ferramenta de apoio, que potencialize o pensamento crítico e a originalidade, e não como substituta do processo cognitivo do pesquisador. Portanto, o verdadeiro ineditismo surge da interação entre o conhecimento acumulado e a reflexão autêntica do pesquisador, com o auxílio da IA ou não.
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