Perdura o eurocentrismo no ensino de história?

Cibele Aparecida Viana

Resumo


O ensino de História no Brasil portou, durante várias décadas, aspectos marcadamente eurocêntricos, sendo pautado, sobretudo, pelas premissas francesas da História da Civilização.  A despeito dos avanços trazidos com a reformulação curricular dos anos 1980 e 1990, essa visão ainda perdurou subjacente a variadas práticas e produções do sistema de ensino e da própria percepção de mundo da sociedade brasileira. Neste artigo, problematizamos como a pauta afirmativa das representações afrodescendentes, oficialmente incorporadas ao ensino básico após a aprovação da Lei 10.639/2003, tem contribuído para o questionamento da ótica eurocêntrica nos estudos de História. De forma concomitante, defende-se o postulado de que a abordagem intercultural no ensino de História pode constituir-se como uma alternativa epistêmica, pedagógica e política ao eurocentrismo.

Palavras-chave


Ensino de história; Eurocentrismo; Livros didáticos; Lei 10.639/2003.

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DOI: https://doi.org/10.5585/cpg.v19n1.14913

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