Sobre escolas, unidades de polícia pacificadora (UPPs) e desigualdades de oportunidades educacionais na cidade do Rio de Janeiro

Robert Lee Segal

Resumo


O presente artigo tem como objetivo apresentar os dados de uma pesquisa longitudinal qualitativa sobre desigualdades de oportunidades educacionais de estudantes moradores de “favelas”, na cidade do Rio de Janeiro, na região da “Grande Tijuca”, tendo como foco a questão das matrículas nas turmas de ensino fundamental das escolas públicas municipais, considerando a limitação de mobilidade imposta pela origem residencial desses mesmos estudantes e o “ethos guerreiro” como reflexo da atuação de grupos de narcotraficantes, a partir das percepções dos funcionários naqueles estabelecimentos de ensino, em contexto de atuação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), entre os anos de 2014 e 2019. Em relação às suas conclusões parciais, verifica-se que tais unidades policiais pouco ou nada modificaram o quadro de desigualdade de oportunidades educacionais, tendo em vista a persistência das chamadas “fronteiras invisíveis” entre as favelas e mesmo entre escolas públicas.

Palavras-chave


Escolas e Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs); Desigualdades de oportunidades educacionais e favelas; Violência urbana e escolas.

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DOI: https://doi.org/10.5585/dialogia.N32.13954

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