A socialização e a educação infantil – um ensaio

Sandro Vinicius Sales dos Santos

Resumo


O ensaio analisa os alcances das teorias sociológicas clássicas que discorreram sobre o conceito de socialização. A perspectiva funcionalista de Durkheim e a sociologia do conhecimento de Berguer e Luckman são revisitadas a partir da emergência, no contexto brasileiro, das instituições de educação infantil. Tal empreendimento é realizado à luz de teorizações que compreendem a socialização como um processo mais interativo do que reprodutivo. O argumento defendido é o de que, na atualidade, as noções clássicas da socialização se mostram insuficientes em função das novas configurações legais da Educação Infantil brasileira. Tal legislação reconhece creches e pré-escolas como direito das crianças, que passam a ser concebidas como atores sociais ativos na própria socialização.

Palavras-chave


Socialização; Educação Infantil; Sociologia clássica.

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DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n52.10621

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