Pedagogia social: epistemologia da esperança no território institucional

Sergio Haddad, Ingrid Bays

Resumo


A história da infância e da adolescência institucionalizada no Brasil permanece como objeto de estudo de pesquisadores em razão de existirem muitas questões a serem desmistificadas, desmembradas e revisitadas. Do período da Roda dos Expostos até hoje, vigente a Constituição Federal de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990, a institucionalização ainda é um método frequente, mesmo que a legislação a trate como excepcional. O texto defende a possibilidade de trabalhar dentro desses ambientes em perspectiva educacional, apoiando-se na pedagogia social, enquanto teoria e metodologia, e no educador social, enquanto profissional que acompanha as crianças e adolescentes em situação de medida protetiva. Para tanto, apresenta resultados de investigação (em andamento) fundada em pesquisa bibliográfica sobre os temas em questão e que fundamentaram a investigação empírica realizada durante a elaboração da dissertação intitulada “A educação social e a autonomia de adolescentes em medida protetiva: uma concepção freireana no acolhimento institucional”, no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Caxias do Sul, buscando contribuir para a minimização de danos nesse ambiente institucional por meio da pedagogia social, tendo-a como estratégia e como epistemologia da esperança no território institucional. 


Palavras-chave


Acolhimento Institucional; Educação Social; Epistemologia; Paulo Freire; Pedagogia Social.

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DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n51.11486

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