Crianças e infância na interface da socialização. Questões para a educação infantil

Lisandra Ogg Gomes, Ligia Maria Leão de Aquino

Resumo


De um lado, teorias e documentos acerca das crianças as legitimam como sujeitos de direitos e agentes sociais, e ainda que haja um hiato entre discursos e práticas para a infância, crianças e sociedade, já é possível perceber que as crianças devem ser o centro do trabalho político e pedagógico. De outro lado, as atuais teorias de socialização apontam para um processo que é significado pelos indivíduos, implicando tensões e determinações, ações e discursos contraditórios e difusos e embates de interesses e interações entre gerações, indivíduos e instituições. A escola de educação infantil, os grupos de pares, a família e a mídia são instituições importantes na infância, porque possibilitam para as crianças encontros, participações e atuações sociais. Com este texto, pautado no referencial teórico dos Estudos da Infância, pretendemos tratar das dinâmicas e articulações entre crianças e seus processos de socialização, com o propósito de oferecer uma contribuição sobre os sentidos socioculturais produzidos nessa interface.


Palavras-chave


Crianças; Infância; Processos de Socialização

Texto completo:

PDF

Referências


ABRANTES, P. Para uma teoria da socialização. Sociologia, Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, vol. XXI, 2011, p. 121-139.

AGAMBEN, G. Infância e história: destruição da experiência e origem da história. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2005.

ALANEN, L. Estudos feministas/Estudos da infância: paralelos, ligações e perspectivas. In: CASTRO, L. R. de (org.). Crianças e jovens na construção da cultura. Rio de Janeiro: NAU; Editora: FAPERJ, 2001.

AQUINO, L. M. L. Infância e diversidade nas orientações nacionais para a educação infantil. In ABRAMOWICZ, A.; VANDENBROECK, M. (org.). Educação Infantil e diferença. Campinas/SP: Papirus, 2013. pp. 169-187.

ARIÈS, P. A história social da criança e da família. Rio de Janeiro: LTC, 2006.

ARROYO, M. G. O direito à educação e a nova segregação social e racial – tempos insatisfatórios? Educação em Revista. Belo Horizonte, v.31, n. 3, Julho-Set. 2015, p. 15-47.

BARALDI, C. Un bambino piange: L’educazione e la cultura dell’infanzia nella società contemporanea. Rassegna Italiana di Sociologia. Bologna: Il Mulino, ano XLII, n. 03, lug./set., 2001, p. 453-483.

BARBOSA, M. C. S.; DELGADO, A. C. C.; TOMÁS, C. A. Estudos da infância, estudos da criança: quais campos? Quais teorias? Quais questões? Quais métodos? Inter-Ação, Goiânia, v. 41, n. 1, jan./abr., 2016, p. 103-122.

BASTIDE, R. Prefácio. FERNANDES, F. As “Trocinhas” do Bom Retiro: contribuição ao estudo folclórico e sociológico da cultura e dos grupos infantis. Pro-posições, Campinas, vol. 15, nº. 43, jan./abr. 2004. p. 229-231.

BENEVIDES, M. V. Educação para a democracia. Lua Nova, nº. 38, dez./1996, p. 223-237.

BERGER, P. L. Perspectivas sociológicas: uma visão humanística. Petrópolis: Vozes, 1986.

BOURDIEU, P. Razões práticas: sobre a teoria da ação. Campinas: Papirus, 1996.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado, 1988.

BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Disponível em: . Acesso em: 04/05/2017.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução nº 05, de 17 de dezembro de 2009. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Disponível em: . Acesso em janeiro de 2010.

CÂNDIDO, A. A estrutura da escola. In: PEREIRA, L.; FORACCHI, M. M. Educação e sociedade: leituras de sociologia da educação. São Paulo: Editora Nacional, 1969.

DANIC, I. Socialização Escolar. In: ZANTEN, A. V. Dicionário de Educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.

DUBET, F. Sociologia da experiência. Lisboa: Instituto Piaget, 1994.

FERNANDES, F. As “Trocinhas” do Bom Retiro: contribuição ao estudo folclórico e sociológico da cultura e dos grupos infantis. Pro-posições, Campinas, vol. 15, nº. 43, jan./abr. 2004, p. 229-231.

FERRERI, M. A. Educação e direito no “século da criança”: a consolidação da internacionalização da infância. NEVES, P. S. C. (org.) Educação e cidadania: questões contemporâneas. São Paulo: Cortez, 2009, p. 134-159.

FREIRE, P. Alfabetização e cidadania. Revista de Educação Municipal. Ação Direta: UNDIME, Cortês Editora, São Paulo, ano 01, nº. 01, jun., 1988, p. 06-15.

GONÇALVES, B. O. Sorrisos infantis na luta pela terra: A participação das crianças na vida política da sociedade. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro: UERJ, 2018.

HENGST, H.. Reconquering urban spots and spaces? Children’s public(ness) and the scripts of media industries. Childhood. SAGE: vol. 04, nº. 04, nov., 1997, p. 425-444.

LAHIRE, B. A cultura dos indivíduos. Porto Alegre: Artmed, 2006.

MACEDO, E. E. Crianças pequenininhas e a luta de classes. Tese de Doutorado. Campinas/SP: Unicamp, 2016.

MACEDO, E. E.; AQUINO, L. M. L. A participação e contribuições das crianças nos movimentos sociais. III International Conference Strikes and Social Conflicts: combined historical approaches to conflict. Proceedings. CEFID-UAB, 2016. Disponível em https://ddd.uab.cat/pub/caplli/2016/158336/RZS63UMacedo_Elina_Aquino_Ligia_OK_.pdf. Acesso em 21/05/2019.

MONTANDON, C. As práticas educativas parentais e a experiência das crianças. Educação e Sociedade. Campinas, col. 26, nº. 91, maio/ago., 2005, p. 485-507.

MOVIMENTO NACIONAL DE MENINOS E MENINAS DE RUA. Psicol. cienc. prof. [online]. 1988, vol.8, n.1, pp. 14-14. Available from: . ISSN 1414-9893. http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98931988000100007.

PAIS, J. M. Culturas de Grupo. In: LAGES, M. F.; MATOS, A. T. de (coord.). Portugal: recursos de interculturalidade. Contextos e dinâmicas. Vol. II, Lisboa: Alto-Comissário para a Imigração e Diálogo Intercultural, 2008.

PROUT, A.; JAMES, A. A new paradigm for the sociology of childhood? Provenance, promise and problems. JAMES, A.; PROUT, A. (eds.). Constructing and reconstructing childhood: contemporany issues in the sociological study of childhood. Basingstoke: Falmer Press, 1990.

QVORTRUP, J. A infância enquanto categoria estrutural. In: Educação e Pesquisa. São Paulo, vol. 36, nº. 2, maio/ago., 2010ª, p. 631-643.

RAMOS, M. M. Infância do campo: uma análise do papel educativo da luta pela terra e suas implicações na formação das crianças do MST. Trabalho de Qualificação de Doutorado. Programa de Pós-graduação em Educação. Rio de Janeiro: UERJ, 2019.

ROSA, J. G. Grande Sertão Veredas. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira 2006.

ROSEMBERG, F. Educação para quem? Ciência e Cultura (SBPC), vol. 02, nº. 12, 1978, p. 1466-1471.

______. A criança pequena e o direito à creche no contexto dos debates sobre infância e relações raciais. In: MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, CEERT, UFSCar/NEAB. Educação infantil, igualdade racial e diversidade: aspectos políticos, jurídicos, conceituais. São Paulo: Centro de Estudos de Relações de Trabalho e Desigualdades – CEERT, 2012.

SANTAELLA, L. Culturas e artes do pós-humano: da cultura das mídias à cibercultura. São Paulo: Paulus, 2003.

SETTON, M. G. J. Teorias da socialização: um estudo sobre as relações entre indivíduo e sociedade. Educação e Pesquisa. São Paulo, vol. 37, nº. 04, dez., 2011, p. 711-724.

SIROTA, R. A indeterminação das fronteiras da idade. Perspectiva, Florianopólis, vol. 25, n. 01, jan./jun., 2007, p. 41-56.

SOUZA, T. J. O Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua e a conquista dos direitos: O marco do movimento social em prol da garantia dos direitos da criança e do adolescente no Brasil. III Simpósio Mineiro de Assistentes Sociais. Belo Horizonte/MG: CRESS, s/d. Disponível em: http://www.cress-mg.org.br/arquivos/simposio/O%20MOVIMENTO%20NACIONAL%20DE%20MENINOS%20E%20MENINAS%20DE%20RUA%20E%20A%20CONQUISTA%20DOS%20DIREITOS.pdf . Acesso em 20/05/2019.

ZELIZER, V A. Pricing the priceless child. The changing social value of children. Princeton/New Jersey: Princeton University Press, 1994.




DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n50.14092

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2019 EccoS – Revista Científica

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Compartilhar igual 4.0 Internacional.

EccoS – Revista Científica

e-ISSN: 1983-9278
ISSN: 1517-1949
www.revistaeccos.org.br

EccoS – Revista Científica ©2020 Todos os direitos reservados.