O diretor de comunicação no futebol: perfis e tendências nos “três grandes” clubes portugueses

José Lemos Quintela

Resumo


Objetivo do estudo: Traçar o perfil do Diretor de Comunicação (DirCom) nos grandes clubes do futebol português e analisar a sua atividade, não só enquanto pivô do processo comunicativo, mas também como protagonista de um processo de comunicação, influência e poder. Pretende-se assim analisar as competências necessárias para o exercício desta função.

Metodologia/abordagem: A partir de uma revisão da literatura problematizamos a centralidade midiática do DirCom, tendo como estratégia metodológica a observação participante completa no Sporting Clube de Portugal. Foi ainda efetuada uma análise documental, de caráter descritivo/comparativo, da imprensa desportiva, currículos e trajetos profissionais dos DirCom dos “três grandes” (Benfica, Porto e Sporting).

Originalidade/relevância: A centralidade da função DirCom nas Sociedades Anônimas Desportivas (SAD) em Portugal não encontra, ainda, correspondência ao nível das pesquisas acadêmicas e científicas desenvolvidas. Este estudo exploratório ganha relevância ao contribuir para o aprofundamento e conhecimento deste assunto.

Principais resultados: O perfil identificado caracteriza-se pela senioridade, experiência política e empresarial dos DirCom, em detrimento da esportiva. São privilegiados modelos de comunicação unidirecionais (propagandísticos) num ecossistema comunicacional que proporciona aos clubes um maior controle sobre as suas mensagens, com as suas próprias plataformas de comunicação e sem necessidade de intermediação jornalística.

Contribuições teóricas/metodológicas: Promove a discussão da relação entre a mercantilização, a política e o futebol, em torno do DirCom e o seu papel na atualidade, objeto por explorar.

Contribuições sociais/para a gestão: Analisa o papel do DirCom na governança das SAD e na relação com os stakeholders, num mundo cada vez mais digital, abrindo caminho a novas pesquisas.

 


Palavras-chave


Comunicação; DirCom; Futebol; Poder; Relações Públicas

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DOI: https://doi.org/10.5585/podium.v9i1.13748

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