A qualidade de vida de quem cuida da saúde: a residência multiprofissional em análise

Adriane Vieira, Gisele de Cássia Gomes, Lorrana Risi Moreira, João Antônio Deconto

Resumo


O ingresso nos programas de residência provoca mudanças no estilo de vida dos profissionais de saúde em função da presença de vários fatores estressantes, dentre eles, as intensas cobranças, diminuição do tempo para a vida social, distanciamento dos amigos e da família e poucas oportunidades de lazer. O objetivo deste estudo foi analisar a qualidade de vida dos residentes de um Programa Integrado Multiprofissional de um hospital de ensino federal localizado no Estado de Minas Gerais. O método de pesquisa adotado foi o survey, por meio do questionário WHOQOL-Bref, com uma amostra de 55 residentes. A técnica utilizada para a análise de todas as escalas foi a estatística univariada, com medidas de posição e tendência central (média) e dispersão dos dados. Os resultados apontam que os residentes tenderam à maior positividade nas facetas que remetem à baixa percepção de dor e desconforto, seguida de satisfação com o acesso aos serviços de saúde, satisfação com as condições de moradia, dinheiro suficiente para satisfazer as necessidades e satisfação com o suporte que recebe de amigos, enquanto a percepção de negatividade está mais fortemente presente nas facetas relacionadas à satisfação com a capacidade de trabalho, sentimentos de estar aproveitando a vida e ter energia suficiente para o dia a dia. Conclui-se que há a necessidade de monitoramento do estado emocional dos residentes a fim de prevenir estados de adoecimento físico, depressivos e outras disfunções socioemocionais.


Palavras-chave


Qualidade de vida; Residência; Multiprofissional; Hospital; Saúde.

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DOI: https://doi.org/10.5585/rgss.v8i3.14419

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