O marketing e as estratégias de posicionamento de alimentos industrializados rotulados como “caseiros” e “artesanais” no Brasil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5585/2026.30135

Palavras-chave:

rotulagem de alimentos, processamento de alimentos, caseiro, artesanal, perfil de nutrientes

Resumo

Objetivo: Identificar e caracterizar alimentos industrializados comercializados com as terminologias “caseiro” e/ou “artesanal” nas principais redes de supermercados do Brasil, avaliando sua qualidade nutricional.

Método: Estudo observacional transversal, baseado em levantamento online e presencial de produtos disponíveis para compra nas principais redes de supermercados brasileiros. Os alimentos foram classificados segundo a extensão e o propósito de processamento (classificação NOVA) e avaliados por dois modelos de perfil de nutrientes: o da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o modelo brasileiro.

Originalidade/Relevância: O estudo aborda um gap regulatório e científico relacionado ao uso não padronizado das terminologias “caseiro” e “artesanal” em alimentos industrializados, contribuindo para o debate sobre rotulagem, marketing alimentar e comportamento do consumidor.

Resultados: Foram identificados 197 alimentos com uso das terminologias nos rótulos. Segundo a classificação NOVA, 77% foram classificados como ultraprocessados e 23% como processados. Pelo modelo de perfil de nutrientes (OPAS), 57,36% apresentaram pelo menos um nutriente crítico em excesso; pelo modelo brasileiro, 48,22% continham sódio, gordura saturada ou açúcar adicionado em quantidades elevadas.

Contribuições teóricas/metodológicas: O estudo reforça evidências sobre a dissociação entre apelos de marketing e qualidade nutricional, além de integrar diferentes modelos de avaliação nutricional aplicados à rotulagem de alimentos.

Contribuições sociais/para a gestão: Os achados sinalizam riscos de indução ao erro do consumidor e sustentam a necessidade de regulamentação mais rigorosa da rotulagem de alimentos.

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS): saúde e bem-estar, consumo e produção responsáveis.

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Tradução

Biografia do Autor

Thaís Silva Falco, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Programa de Pós-graduação em Saúde e Nutrição, Ouro Preto, MG, Brasil

Nutricionista e mestre em Saúde e Nutrição pela Universidade Federal de Ouro Preto. Durante a graduação foi bolsista de iniciação científica na categoria PIBIC/Cnpq, na qual executou análises de métodos alternativos à pasteurização do leite humano doado. Atuou como aluno voluntário em projeto de extensão (2017), onde avaliou as interferências de sódio e lipídios sob aceitação sensorial de refeições servidas em um restaurante universitário, além da promoção de práticas de educação alimentar e nutricional. Atualmente atua como nutricionista da qualidade em um hospital de referência

Camila Carvalho Menezes, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Programa de Pós-graduação em Saúde e Nutrição, Ouro Preto, MG, Brasil

Doutora e mestre em Ciência de Alimentos pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Atualmente, é professora associada do curso de Graduação em Nutrição e docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Saúde e Nutrição (PPGSN), ambos da UFOP. Possui experiência nas áreas de Nutrição e de Ciência e Tecnologia de Alimentos, com ênfase em rotulagem de alimentos, comportamento do consumidor e influência do processamento na qualidade nutricional e sensorial dos alimentos.

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Publicado

04-02-2026

Como Citar

Falco, T. S., & Menezes, C. C. (2026). O marketing e as estratégias de posicionamento de alimentos industrializados rotulados como “caseiros” e “artesanais” no Brasil. ReMark - Revista Brasileira De Marketing, 25(1), e30135. https://doi.org/10.5585/2026.30135
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