Conexões entre o julgamento moral e determinantes biológicos do comportamento na governança corporativa

Roberto Godoy Fernandes, Eric David Cohen

Resumo


O presente artigo analisa os comportamentos antissociais ou antiéticos no contexto da Governança Corporativa, pautado pela necessidade de se acompanhar com instrumentos próprios seus efeitos, à luz dos avanços neste campo de conhecimento. Ao preconizar a sua validação adequada, postula-se a necessidade de considerar os diferentes aspectos do comportamento humano quanto aos processos de julgamento. Neste sentido, objetiva-se identificar as conexões teóricas entre o julgamento moral e o comportamento ético organizacional, notando-se uma lacuna em relação às normativas existentes. A metodologia do estudo é descritiva de natureza exploratória, utilizando a abordagem mista – qualitativa e quantitativa, iniciando-se com uma pesquisa bibliométrica para identificação de estudos anteriores e da revisão da literatura pertinente ao julgamento moral à luz do comportamento organizacional. Identifica-se na literatura que o julgamento moral do indivíduo é influenciado por fatores genéticos, socioambientais e biossociais, que influenciam o comportamento por meio do julgamento moral. Foram coletados dados utilizando uma escala validada de mensuração desenvolvida por outros autores e adaptada ao contexto local. Não foi possível concluir a respeito das possíveis diferenças de julgamento moral utilitarista no comportamento de profissionais da área comercial. Já em relação à idade, foi confirmada uma tendência ao comportamento deontológico para a amostra de maior idade e uma tendência utilitarista para a amostra masculino. A partir destas evidências, sugerem-se novas hipóteses que são relevantes para o desenvolvimento da teoria neste campo de conhecimento, além de evidenciar a necessidade por parte da Governança Corporativa em criar os seus próprios métodos de validação e políticas adequadas.


Palavras-chave


Governança Corporativa; Ética; Dilemas Morais; Determinantes Biológicos do Comportamento

Texto completo:

PDF

Referências


Arutyunova, K. R., Alexandrov, Y. I., & Hauser, M. D. (5 de Set. de 2016). Sociocultural Influences on Moral Judgments: East–West, Male–Female, and Young–Old. Frontiers in Psychology, 7 | Article 1334, pp. 1-15.

Asanuma, W. (2010). A Deontological Approach to Business Ethics: Beyond Maximization of Profits. The International Journal of the Humanities, 8(2), 245-253.

Ashley, P. A. (2005). Ética e responsabilidade social nos negócios (2ª ed.). São Paulo: Saraiva.

Barbieri, D., & Pilati, R. (jul./set. de 2018). Julgamento Moral do Aborto: Influência da Atitude Prévia, Princípios Deontológicos e Utilitaristas. Psico-USF, 23(3), 527-537.

Barnes, T. D., Beaulieu, E., & Saxton, G. W. (18 de Jan. de 2017). Restoring trust in the police: Why female officers reduce suspicions of corruption. Wiley Governance, 31, pp. 143-161.

Baumgarten, F. (1954). O caráter e a psicologia. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 6(3), 53-63.

Bizerra, A. V., Alves, F. d., & Ribeiro, C. d. (Nov. de 2012). Governança pública: uma proposta de conteúdo mínimo para os relatórios de gestão das entidades governamentais. EnAPG/ANPAD - Encontro de Administração Pública e Governo, 1-16.

Bostyn, D. H., Sevenhant, S., & Roets, A. (2018). Of Mice, Men, and Trolleys: Hypothetical Judgment Versus Real-Life Behavior in Trolley-Style Moral Dilemmas. APS - Association of Psychological Science, 1-10.

Brasil. (1984). Lei 7.209. Acesso em 09 de Maio de 2019, disponível em Presidencia da República - Casa Civil: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/1980-1988/l7209.htm

Brasil. (2002). Lei 10.406. Acesso em 06 de Maio de 2019, disponível em Presidencia da República - Casa Civil: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm

Bruin, W. B., Parker, A. M., & Fischhoff, B. (Set. de 2012). Explaining Adult Age Differences in Decision-making Competence. Journal of Behavioral Decision Making, 25(4), 1-14.

Chen, D. L. (9 de Fev. de 2019). Markets and Morality: Do Free Markets Corrode Moral Values? TSE Working Paper No. 16-692, pp. 1-64.

Christensen, J. F., & Gomila, A. (2012). Moral dilemmas in cognitive neuroscience of moral decision-making: A principled review. Neuroscience and Biobehavioral Reviews, 36, pp. 1249-1264.

Christensen, J. F., Flexas, A., Calabrese, M., Gut, N. K., & Gomila, A. (2014). Moral judgment reloaded: a moral dilemma validation study. Frontiers in Psychology - Emotion Science, 1-18.

Corvo, K. (2019). Early-life risk for domestic violence perpetration: Implicationsfor practice and policy. Infant Mental Health Journal, 40, pp. 152-164.

Crockett, M. (2018). Modelos de Moralidade. Revista Brasileira de Políticas Públicas, 8(2), 143-152.

Cuñat-Agut, M., Martí-Vilar, M., & Suay I, F. L. (Jun. de 2016). Brain structures involved in moral reasoning: a review. The International Journal of Psychosocial and Cultural Genomics, Consciousness & Health Research, 2(II), 38-44.

Decety, J., & Cowell, J. M. (09 de Mar. de 2016). Our Brains are Wired for Morality: Evolution, Development, and Neuroscience. (P. Glimcher, Editor) Acesso em 26 de Set. de 2019, disponível em Frontiers for Young Minds: https://kids.frontiersin.org/article/10.3389/frym.2016.00003#

Denson, T. F., O'Dean, S. M., Blake, K. R., & Beames, J. R. (Maio de 2018). ggression in Women: Behavior, Brain and Hormones. Frontiers in Behavioral Neuroscience, 12(81), 1-20.

DPIC. (2019). 2019 | Death Penalty Information Center. Acesso em 05 de Out. de 2019, disponível em DPIC | Death Penalty Information Center: https://deathpenaltyinfo.org/executions/2019

Durkheim, É. (2012). A educação moral / Émile Durkheim; tradução de Raquel Weiss (2ª ed.). Petrópolis, RJ: Vozes.

Egorov, E. E., Lebedevа, T. E., Bulganina, S. V., & Vasilyeva, L. I. (2015). Some Aspects of the Implementation of the Principle of Transparency in Russian Universities: Research, Experience, Perspectives. International Education Studies, 8(5). doi:doi:10.5539/ies.v8n5p191

Elqayam, S., Wilkinson, M. R., Thompson, V. A., Over, D. E., & Evans, J. S. (Jun. de 2017). Utilitarian Moral Judgment Exclusively Coheres with Inference from Is to Ought. Frontiers in Psychology, 8(Artigo 1042), 1-18.

Farrington, D. P., Kazemian, L., & Piquero, A. R. (2019). The Oxford Handbook of Developmental and Life-Course Criminology. New York, USA: Oxford University Press.

FBI. (2019). White-Collar Crime - FBI. Acesso em 05 de Out. de 2019, disponível em Welcome FBI.gov - FBI: https://www.fbi.gov/investigate/white-collar-crime

Fernandes, C., Gonçalves, A. R., Pasion, R., Ferreira-Santos, F., Paiva, T. O., Castro, J. M., . . . Marques-Teixeira, J. (2018). European Portuguese adaptation and validation of dilemmas used to assess moral decision-making. Trends Psychiatry Psychother, 40(1), pp. 38-46.

Gawronski , B., & Beer, J. S. (2017). What makes moral dilemma judgments “utilitarian” or “deontological”? Social Neuroscience, 12(6), 626-632.

Gouveia, V. V. (out./dez. de 2015). Psicologia Social como Ciência e Prática: O que Pensam Pesquisadores Brasileiros? Psicologia: Teoria e Pesquisa, 31(4), 491-500.

Greco, R. (2015). Curso de Direito Penal - Parte Geral - Artigos 1º a 120 do Código Penal (17ª ed., Vol. I). Niterói, RJ: Impetus.

Greene, J. D., Morelli, S. A., Lowenberg, K., Nystrom, L. E., & Cohen, J. D. (Jun. de 2008). Cognitive load selectively interferes with utilitarian moral judgment. Cognition, 107(3), pp. 1144–1154.

Greene, J. D., Sommerville, R. B., Nystrom, L. E., Darley, J. M., & Cohen, J. D. (2001). An fMRI Investigation of Emotional Engagement in Moral Judgment. Science, 293, pp. 2105-8.

Greene, J., Nystrom, L., Engell, A., Darley, J., & Cohen, J. (2004). The neural basis of cognitive conflict and control in moral judgment. Neuron, 44, pp. 389-400.

Healey, M. P., Hodgkinson, G. P., & Massaro, S. (2018). Chapter 2 Can Brains Manage? The Brain, Emotion, and Cognition in Organizations. Em L. Petitta, C. E. Härtel, N. M. Ashkanasy, W. J. Zerbe, & E. P. Limited (Ed.), Research on Emotion in Organizations, Volume 14: New Ways of Studying Emotions in Organizations (pp. 27-58). Emerald Publishing Limited.

IBGC. (2015). Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa (5ª ed.). (I. B. Corporativa, Ed.) São Paulo: Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.

IBGC. (2017). Compliance à Luz da Governança Corporativa. (I. B. Corporativa, Ed.) São Paulo: Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.

Kahane, G., Everett, J. A., Earp, B. D., Farias, M., & Savulescu, J. (2015). ‘Utilitarian’ judgments in sacrificial moral dilemmas do not reflect impartial concern for the greater good. Cognition, pp. 193-209.

Laakasuo, M., & Sundvall, J. (Ago de 2017). Are Utilitarian/Deontological Preferences Unidimensional? Frontiers in Psychology, 7(Artigo 1228), 1-18.

Mednick, S. A., & Kandel, E. (1988). Genetic and Perinatal Factors in Violence. Em T. E. Moffitt, S. A. Mednick, & Springer (Ed.), Biological Contributions to Crime Causation (Vol. 40, pp. 121-131). Dordrecht: NATO ASI Series (Series D: Behavioural and Social Sciences). Springer.

Micewski, E. R., & Troy, C. (Abr. de 2007). Business Ethics – Deontologically Revisited. Journal of Business Ethics, 72(1), 17-25.

Mill, J. S. (2005). Utilitarismo: Introdução, tradução e notas de Pedro Galvão. Porto: Porto Editora.

Moll, J., Oliveira-Souza, R. d., Basilio, R., Bramati, I. E., Gordon, B., Rodríguez-Nieto, G., . . . Grafman, J. (2018). Altruistic decisions following penetrating traumatic brain injury. Brain: A Journal of Neurology, pp. 1-12.

Moore, A. B., Clark, B. A., & Kane, M. J. (Jul. de 2008). Who shalt not kill? Individual dif-ferences in working memory capacity, executive control, and moral judgment. Psychological Science, 19(6), pp. 549–557.

Ojikutu, R. K., Obalola, M. A., & Omoteso, K. (2013). Assessing the Relationship between Sales Quotas and Moral Judgement of Insurance Salespersons: The Moderating Effects of Personal Moral Values, Quota Failure Consequences, and Corporate Ethical Climate. Journal of Emerging Trends in Economics and Management Sciences, 4(2), pp. 274-288.

Oliveira, C. (2015). O Utilitarismo em John Stuart Mill. Dissertatio Revista de Filosofia, 41, 11-29.

Oliveira, M. M., Medeiros, M. A., Silva, R. L., & Lucas, G. A. (dez. de 2016). Desenvolvimento Sustentável nas Organizações como Oportunidade de Novos Negócios. Revista Valore, 1(1), 42-46.

Pascual, L., Rodrigues, P., & Gallardo-Pujol, D. (Set. de 2013). How does morality work in the brain? A functional and structural perspective of moral behavior. Frontiers in Integrative Neuroscience, 7(Artigo 65), 1-8.

Pedrosa, J. (2015). Pensamentos Edificantes. Natal: Clube dos Autores.

Picon, R. (2015). Diferença entre dolo eventual e culpa consciente - Jus.com.br | Jus Navigandi. Acesso em 09 de Maio de 2019, disponível em JUS.com.br: https://jus.com.br/artigos/38268/diferenca-entre-dolo-eventual-e-culpa-consciente

Portnoy, J., Legee, K., Raine, A., Choy, O., & Rudo-Hutt, A. S. (2018). Biosocial Risk Factors for Academic Dishonesty: Testing a New Mediation Model in Young Adults. Journal of Contemporary Criminal Justice, pp. 1-15.

Raine, A. (2015). A Anatomia da Violência; as raízes biológicas da criminalidade / Adrian Raine; tradução: Maiza Ritomy Ite; revisão técnica: Ney Fayet Júnior, Pedro Antônio Schmidt do Prado-Lima. Porto Alegre: Artmed.

Rossetti, J. P., & Andrade, A. (2016). Governança Corporativa: Fundamentos, Desenvolvimento e Tendências (7ª ed.). São Paulo: Atlas.

Schwepker Jr., C. H., & Good, D. J. (2011). Moral Judgment and its Impact on Business-to-Business Sales Performance and Customer Relationships. Journal of Business Ethics, 98, pp. 609-625.

Silva, E. C. (2018). Governança Corporativa nas Empresas: guia prático de orientação para acionistas, investidores, conselheiros de administração e fiscal, auditores, executivos, gestores, analistas de mercado e pesquisadores (4ª ed.). São Paulo: Atlas.

Silveira, A. D. (2010). Governança Corporativa no Brasil e no Mundo: teoria e prática (2ª ed.). Rio de Janeiro: Elsevier.

Sison, J. A., Ferrero, I., & Guitián, G. (2018). Business Ethics: A Virtue Ethics and Common Good Approach. (T. &. Group, Ed.) Routledge.

Sparrow, E. P., & Spaniol, J. (Set. de 2016). Age-Related Changes in Decision Making. Current Behavioral Neuroscience Reports - Springer, 3(4), 285-292.

Staveren, I. V. (Jan. de 2007). Beyond Utilitarianism and Deontology: Ethics in Economics. Review of Political Economy, 19(1), 21-35.

Todorov, J. C. (fev. de 2013). Sobre uma definição de comportamento. Perpectivas em Análise do Comportamento, 3(1), 032-037.

Tricker, R. I. (2015). Corporate Governance: Principles, Policies, and Practices (3ª ed.). Londres: Oxford University Press.

Worthy, D. A., Gorlick, M. A., Pachecco, J. L., Schyer, D. M., & Maddox, W. T. (Nov. de 2011). With Age Comes Wisdom: Decision-Making in Younger and Older Adults. Psychology Science, 22(11), 1375-1380.

Zalata, A. M., Ntim, C., Aboud, A., & Gyapong, E. (24 de Maio de 2018). Female CEOs and Core Earnings Quality: New Evidence on the Ethics Versus Risk-Aversion Puzzle. Journal of Business Ethics , pp. 1-20.

Zoha, F. (Jan.-Jun. de 2017). Salesforce Ethical Behaviour: A Control System Perspective. Journal of Marketing Vistas, 7(1), pp. 68-75.




DOI: https://doi.org/10.5585/gep.v11i3.18463

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2020 Revista de Gestão e Projetos

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Compartilhar igual 4.0 Internacional.

GeP – Revista Gestão e Projetos
ISSN da versão eletronica: 2236-0972
www.revistagep.org