Reflexões acerca do uso da telemedicina no Brasil: oportunidade ou ameaça?

Weverson Soares Santos, João Henriques de Sousa Júnior, João Coelho Soares, Michele Raasch

Resumo


Os avanços tecnológicos trouxeram uma nova realidade de trabalho e assistência oferecida pelos profissionais de saúde. A utilização das tecnologias para prover assistência, promoção e educação em saúde é também denominada como saúde digital, e engloba, dentre outros, a telemedicina, inerente especificamente à prática da medicina a distância. A telemedicina vem sido desenvolvida há muitas décadas e com diversas experiências nas mais diversas culturas e realidades socioeconômicas, atuando como ferramenta de teleassistência, teleconsulta, telexpertise, monitoramento remoto, pesquisas multicêntricas e atividades educacionais. Este artigo objetiva apresentar uma revisão crítica acerca do uso da telemedicina medicina no Brasil. O ponto alto das discussões acerca do tema refere-se à regulamentação, principalmente, da prática de teleconsultas, atividade utilizada em vários países e liberada no Brasil durante a pandemia de COVID-19. A literatura apresenta diversas experiências e oportunidades do uso da telemedicina, tais quais: aumento do acesso a serviços de saúde, redução de deslocamentos de pacientes, redução de custos e aproximação de especialistas à população de regiões remotas. Porém, uma recente tentativa de regulamentação do Conselho Federal de Medicina levantou uma série de discussões entre especialistas e associações médicas, evidenciando ameaças como: aumento da possibilidade de diagnósticos equivocados, utilização em demasia, insegurança de dados e informações privadas, e possível vetor de desemprego de profissionais médicos. A liberação do uso da telemedicina durante a pandemia evidenciou uma oportunidade para os profissionais e, para a população brasileira experenciar essa nova modalidade de prestação de serviço médico, que certamente contribuirá para discussões futuras e possível regulamentação do tema.


Palavras-chave


Telemedicina; Saúde digital; COVID-19

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DOI: https://doi.org/10.5585/rgss.v9i3.17514

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