Editorial

Elaine Teresinha Dal Mas Dias, Cleide Rita Silvério de Almeida

Resumo


No primeiro semestre do ano passado, quando assumimos a revista, deparamo-nos com uma mudança sem precedentes no cenário mundial, que se prolongou ao longo de todo o segundo semestre, e agora, mais uma vez, estamos reféns de um cenário de muita tristeza e desolação, porque o país ultrapassou o número de mais de 500 mil mortos.

O vírus e suas mutações trazem a sensação de que estamos convivendo com um monstro que nos consome, o que nos remeteu à mitologia grega. Assim, trazemos a história de Teseu e o Minotauro, como uma metáfora que ajuda a expressar este momento.

Teseu é lembrado como um herói, por ter libertado os atenienses da submissão perversa do Minotauro, um monstro com cabeça de touro e corpo de homem que se nutria de carne humana. Assim, ele exigia que, todo ano, sete rapazes e sete moças lhe fossem entregues para serem devorados por ele, que vivia num labirinto. Teseu se propõe a enfrentar a dominação e, quando é o tempo de enviar as vítimas ao monstro, ele segue junto. Ariadne, por quem tinha se apaixonado, dá a Teseu um novelo de linha, que lhe permite sinalizar o tortuoso trajeto no interior do labirinto e retornar sem se perder naqueles meandros. Teseu triunfa sobre o monstro e consegue voltar como herói.

Hoje, assim como Teseu, também precisamos do fio de Ariadne para encontrar a saída de uma realidade marcada pela morte de milhares de pessoas, com o sofrimento de seus familiares, e pelo negacionismo científico, com suas consequências nefastas.  Os desafios que se colocam à nossa frente são substanciais e requerem o respeito à vida e à ciência. Assim como nesta narrativa, temos vítimas e heróis; na nossa realidade, temos os pesquisadores, médicos, enfermeiros, paramédicos e uma legião de trabalhadores que dão suporte diário ao enfrentamento do monstro Covid-19, que vitimiza uma parcela significativa da população.

O fio de Ariadne pode ser entendido como uma linha de esperança que nos conduz para fora do labirinto, apontando outras possibilidades a serem trilhadas fora do espectro da sujeição ao monstro. Este fio condutor pode ser representado pelas vacinas, pelo uso de máscara, pelas regras de distanciamento, que se traduzem pelo cuidado de si e cuidado dos outros. Na tessitura deste fio, trazemos o conjunto de artigos que apresentamos neste número e esperamos que sirvam de base para construir novas fontes de pesquisa e pensamento renovado.

Abrimos com o dossiê sobre Educação e cinema: atos formativos. O cinema nos convida a visitar não só a realidade, como também a ficção, a fantasia, e nos transporta para o mundo dos heróis e dos vilões, da aventura, do amor, cultivando nossa sensibilidade. O leitor encontrará neste dossiê artigo sobre o cinema documental, o latim nos feitiços de Harry Potter, a cultura de massa e a diversidade sexual.

Os artigos que se seguem na parte diversificada tratam de temas instigantes que estão presentes no nosso cotidiano e que exigem nossa contínua atenção. Um artigo aborda o acolhimento, a socialização e o relacionamento de estudantes imigrantes. Há um conjunto de reflexões que analisam a inclusão e seus impactos educacionais. As temáticas da educação infantil e alfabetização compõem outra série de textos. Em relação a esta área, temos também o efeito das brincadeiras e encenações na aprendizagem das crianças. Ainda sobre educação das crianças, uma das pesquisas trata sobre a avaliação e intervenção psicopedagógica no transtorno da dislexia. Em outro ainda, os adolescentes que participam de projetos esportivos foram ouvidos em entrevistas abertas e percebem as ONGs como espaços de educação e formação humana. Em outro artigo, é proposto um diálogo entre a disciplina de Educação Física e a semiótica. O processo de ensino e aprendizagem no discurso filosófico da série de televisão Merli suscita uma crítica sobre a desvalorização do ensino de Filosofia. O trabalho sobre educação em Direitos Humanos traz aproximações entre esta proposta educacional e os ideais do Iluminismo, problematizando o contexto da pós-modernidade e do neoliberalismo. Como resultado de uma pesquisa exploratória sobre a expropriação secundária, outro artigo destaca como a sociedade capitalista interfere direta e indiretamente no nosso cotidiano e nas relações sociais. Na sequência, um artigo analisa aspectos institucionais da trajetória das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs) no Brasil. Tendo como foco a produção audiovisual do gênero documentário, o artigo apresenta uma revisão bibliográfica sistemática em plataformas de pesquisa.

Na seção resenha, apresentamos o livro de Vigotski, Imaginação e criação na infância.

Por fim, desejamos a todos e todas que os trabalhos apresentados tragam fecundidade e que se constituam em espaço e meio de troca de ideias.

Cleide Rita Silvério de Almeida

Elaine Teresinha Dal Mas Dias

Editoras


Palavras-chave


Editorial.

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DOI: https://doi.org/10.5585/cpg.v20n1.20328

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