Sustentabilidade ambiental em comunidades de pescadores inseridas em destino turístico: o caso da Ilha Mem de Sá – Brasil

Fabiana Faxina, Lara Brunelle Almeida Freitas, Salvador Dal Pozzo Trevizan

Resumo


Objetivo: Analisar a sustentabilidade ambiental da comunidade Ilha Mem de Sá, Sergipe, Brasil, com base em indicadores de sustentabilidade nas dimensões social, econômica e natural.

Metodologia: Teve como base o modelo de avaliação de sustentabilidade de comunidades de pescadores inseridas em destinos turísticos, elaborado por Faxina (2014). O questionário foi adotado como instrumento de coleta de dados e foram entrevistados 64 representantes das 75 famílias da comunidade.

Originalidade/Relevância: O trabalho apresenta uma ferramenta de avaliação de sustentabilidade ambiental para comunidades, o que reduz a escala de análise e permite conhecer as necessidades específicas de pequenos grupos populacionais.

Resultados: A comunidade atingiu nível médio de sustentabilidade ambiental, e os dados revelam carência nos meios de acesso às informações, no transporte público e na organização comunitária; baixa diversidade de oferta de trabalho; carência de capacitação profissional; fragilidades na coleta e destinação de resíduos, e distribuição desigual de água e energia.

Contribuições teóricas/metodológicas: Constatou-se a importância dos modelos de avaliação de sustentabilidade em pequena escala, que podem ser ferramentas úteis de monitoramento do processo de desenvolvimento, especialmente nos casos onde há uma nova atividade produtiva em curso, que tem potencial de causar impactos ambientais negativos desconhecidos pela comunidade.

Contribuições sociais/para a gestão: A avaliação da sustentabilidade ambiental em tela pode ser utilizada como uma ferramenta de planejamento e gestão em distintas instâncias de governança, especialmente pelas lideranças comunitárias, estimulando o empoderamento e a participação local, princípios sustentados pelo Turismo de Base Comunitária.


Palavras-chave


Meio ambiente; Comunidade sustentável; Pesca artesanal; Turismo de base comunitária.

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DOI: https://doi.org/10.5585/geas.v10i1.16311

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