Ludicidade e atividades lúdicas na prática educativa

compreensões conceituais e proposições. São Paulo: Cortez, 2022

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5585/cpg.v23n1.25445

Palavras-chave:

ludicidade, Educação, desenvolvimento

Resumo

Cipriano Luckesi é doutor em educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Foi professor de filosofia na Universidade Federal da Bahia até 2010 e, atualmente, é reconhecido por abordar, principalmente, a avaliação na educação básica. Algumas de suas principais obras são:

Avaliação da Aprendizagem Escolar: estudos e proposições (2014);

Sobre Notas Escolares: distorções e possibilidades (2016);

Avaliação da Aprendizagem: componente do ato pedagógico (2021);

Avaliação da aprendizagem escolar: passado, presente e futuro (2022).

Luckesi defende a educação que enxerga o educando em sua essência e compreende os processos estudantis, envolvendo e acolhendo suas peculiaridades, relacionando seus conhecimentos prévios e os que pode adquirir.

Na prática pedagógica, o professor deve compreender que o estudante não é só aquele que chega à escola para receber conteúdos, mas é um ser completo, que tem na escola novas formas de aprimoramento de suas capacidades e habilidades. Tal perspectiva é encontrada ao longo deste livro, associando ludicidade e desenvolvimento.

Para o autor, não só é necessário compreender a ludicidade intrínseca e peculiar a cada um, mas as diferentes expressões lúdicas.

A obra resenhada é composta por um conjunto de textos oriundos de um estudo realizado pelo autor entre os anos de 1990 e 2000. Propõe-se a apresentar as características da ludicidade na existência humana e, em especial, nas atividades educativas, defendendo e elucidando a concepção de que ela não está apenas na infância, mas caracteriza diferentes momentos da vida.

2 Desenvolvimento

 2.1 Capítulo I – Compreendendo o conceito de ludicidade

 O autor expressa diferentes formas de se pensar e conceber a ludicidade, sendo que, para cada indivíduo, esta poderá se dar de modo diferente. Há inúmeras possibilidades de encontrar ludicidade e interagir com ela a partir de experiências únicas, individuais ou coletivas.

Trata-se sobre a importância de compreender a multiplicidade do fazer, encontrar-se com o lúdico nas relações humanas e da diferença existente entre ludicidade e atividades lúdicas. Não obstante, as oportunidades de se vivenciar diferentes práticas lúdicas ao longo da vida são enunciadas pelo autor como uma proposta reflexiva, pois, talvez não seja competência apenas da infância interagir e expressar-se por meio das atividades que dão prazer ao ser humano.

2.2 Capítulo II – Ludicidade no espectro das áreas de conhecimento

Compromete-se a abordar a ludicidade dentro das diferentes dimensões do conhecimento humano, subjetivas e objetivas, internas e coletivas.

As quatro dimensões apresentadas pelo autor, a partir da proposta de Ken Wilber para explicar o conhecimento humano, reforçam o iniciado no capítulo anterior no que diz respeito ao sentir subjetivo, intencional e particular a que todos os seres humanos estão sujeitos, mesmo que em momentos de encontro e interações coletivas.

2.3 Capítulo III – Atividades lúdicas e sua função no desenvolvimento do ser humano

O autor traz contribuições das teorias freudiana e piagetiana, nos campos da Psicanálise e do desenvolvimento humano atrelados à ludicidade, explicando, por meio da biologia humana, como o corpo lida com a ludicidade e a falta dela, reforçando as influências das manifestações internas e externas. Além disso, é feita uma apresentação teórica sobre a estrutura psicológica do ser humano que necessita do brincar e da ludicidade em todas as fases da vida humana.

Além disso, explicita-se a brincadeira no desenvolvimento das estruturas neurológicas, desde a mais tenra idade, em suas relações ao longo da vida, nas formas de representação e interpretação da realidade, e nas expressões que surgem a partir das múltiplas linguagens lúdicas que ultrapassam a verbalização.

2.4 Capítulo IV - Atividades lúdicas e a restauração do equilíbrio entre as camadas embrionárias construtivas do ser humano

O texto contempla aspectos da vinculação entre ludicidade, biossíntese, Psicanálise e subjetividade individual, demonstrando como os aspectos biológicos do ser humano (endoderma -sentir, ectoderma – pensar e mesoderma – agir) precisam estar em equilíbrio em prol do comportamento e desenvolvimento, demonstrando como o equilíbrio entre mente e corpo pode ser alcançado através da ludicidade, auxiliando a própria essência vital, presente no encontro da integridade individual, chegando à forma como nos relacionamos conosco e com o mundo.

2.5 Capítulo V – Ludicidade e vida cotidiana na prática educativa

Este capítulo traz aspectos que envolvem diversas experiências, suas relações com a ludicidade e a não ludicidade, contexto e indivíduo.

É enfatizada a condição que colocamos sobre a vida, como a forma que naturalizamos a dureza das coisas, especialmente na fase adulta, como o trabalho, e como nos integramos a uma ordem social e cultural que banaliza o prazer da vida em determinada fase.

A ludicidade então é evidenciada em diferentes momentos da existência humana e que podem ser utilizados para viver uma vida mais leve, atrelando prazer que, de forma individual, reverbera no exterior e coletivo, alterando emoções e relações.

2.6 Capítulo VI – Sobre o brincar

A proposta deste capítulo é compreender o brincar em diferentes contextos e fases da vida humana. Apresenta-se o jogo como representação, não necessariamente um jogo elaborado, mas, especialmente para a criança, a exploração de qualquer objeto ou experiência.

Remete ao conceito de seriedade presente na forma como os seres humanos são condicionados de acordo com as construções sociais e culturais, sobre o que deve ou não ser feito em cada faixa etária, e que, por vezes, retira aspectos essenciais da vida e da vitalidade ao passar dos anos.

Além disso, discorre sobre a ludicidade na adolescência, que se expressa de formas diferentes requerendo olhar sensível.

2.7 Capítulo VII – Ludopedagogia: programa de estudos

O autor elucida as disciplinas sobre ludopedagogia ofertadas, no nível de pós-graduação em educação pela Universidade Federal da Bahia, entre 1998 e 2010, baseando-se em diferentes autores e referências.

2.8 Capítulo VIII – Bibliografia geral

Apresenta-se uma coletânea de autores e obras relevantes ao estudo sobre a ludicidade e o brincar em diferentes contextos e momentos da vida humana.

2.9 Considerações finais

Contempla um compilado das informações apontadas no decorrer da obra, enfatizando o caráter da ludicidade vivida por cada indivíduo, de forma isolada e coletiva, como um direito. Com isso, a ludicidade na educação, precisa ser ampliada e tida como transversal, permeando todos os espaços educativos e propiciando apoio ao desenvolvimento.

  • Anexos

Os anexos I, II e III, apresentam os projetos executados pelos estudantes da Universidade Federal da Bahia na pós-graduação em ludopedagogia. 

  • Considerações da autora

A proposta abordada relevante para desvincular o pensamento que naturaliza a ludicidade apenas na infância e a abandona para dar espaço a maturidade e seriedade.

O autor destaca a importância do brincar e do lúdico nas diferentes fases da existência humana, como uma importante estratégia para compreender o eu, o outro, o mundo e as relações. Entender as diferentes formas de ludicidade, a depender do contexto e do indivíduo, são um bônus na compreensão de diversidade humana e caracterização do fazer lúdico. A leitura é recomendada, não só para educadores, mas para autoanálise e interessados em entender a vida humana e agir sobre ela de forma mais prazerosa, dado que sua proposta vai além do que indica o título, ressaltando a presença da ludicidade intrínseca e necessária ao desenvolvimento saudável e equilibrado.

Percebeu-se que o autor se esquivou do tema proposto, não consagrando “atividades lúdicas na prática educativa”, mas sim, a ludicidade na vida humana.

Ao leitor interessado, é necessário apontar que há algumas repetições cansativas, especialmente sobre o conceito de ludicidade e as interações humanas, onde o autor supera as possibilidades de compreensão sobre o fazer lúdico dentro da confluência entre o ser humano e a ludicidade individual. Além disso, há erros editoriais, especialmente com repetição de palavras.

Em contexto geral, a obra contribui para a compreensão da ludicidade no desenvolvimento equilibrado, dentro e fora do ambiente educativo.

 

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Biografia do Autor

Gabriela Amorim Ribeiro, Universidade Nove de Julho, Uninove

Mestranda em Educação

Referências

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Publicado

28.06.2024

Como Citar

RIBEIRO, Gabriela Amorim. Ludicidade e atividades lúdicas na prática educativa: compreensões conceituais e proposições. São Paulo: Cortez, 2022 . Cadernos de Pós-graduação, [S. l.], v. 23, n. 1, p. 93–97, 2024. DOI: 10.5585/cpg.v23n1.25445. Disponível em: https://periodicos.uninove.br/cadernosdepos/article/view/25445. Acesso em: 14 jul. 2024.

Edição

Seção

Resenhas