Editorial

José Eustáquio Romão, Maurício Pedro da Silva

Resumo


Assumir a editorial de uma revista científica é de uma responsabilidade inimaginável, não somente pelo que ela pode alcançar de pontuação na avaliação dos órgãos reguladores que classificam os periódicos brasileiros dessa natureza (Qualis Capes), mas, especialmente, no que ela significa em termos de ser um veículo de disseminação dos avanços da ciência em determinado campo do conhecimento humano.

Ainda que a delimitação das fronteiras entre as áreas de conhecimento não estivessem tão definidas para a classificação das revistas quando a EccoS foi criada, desde suas origens, a Revista inscreveu-se, nitidamente, na Área de Educação, percorrendo uma trajetória de sucesso que acabou por situá-la no estrato “A2” das revistas dessa área na classificação do Qualis Capes[1]. Portanto, ao assumir a editoria deste periódico, cabe-nos, em primeiro lugar, louvar o trabalho dos colegas editores que nos antecederam nessa importante tarefa.

Entretanto, como tudo é dinâmico – tudo que é vivo muda, nada permanece; o que permanece é a mudança – especialmente se se considerar os avanços da própria ciência editorial e as demandas da comunidade científica e das formações sociais contemporâneas, assumimos a editoria da EccoS também de olho nesses avanços e nessas demandas, pautando-nos, principalmente, pelos bons exemplos de periódicos de mesma natureza publicados no Brasil e no exterior. Cabe destacar, no atual conjunto de modificações, que a publicação de EccoS passa a ser em fluxo contínuo, conforme recomendação de alguns dos mais conceituados indexadores. 

Os conselheiros, autores, pareceristas e leitores da revista perceberão, a partir deste número 54, uma série de modificações na estrutura, nas informações institucionais e nas orientações da EccoS, que recomendamos observarem com mais cuidado.      

Tendo alcançado a “maioridade” depois de mais de 21 anos de existência – a revista nasceu em 1998 –, pretendemos que, em 2020, EccoS passe a ser um marco na disseminação dos trabalhos da intelligentsia educacional brasileira, não apenas no sentido de buscar galgar outros patamares e lograr colocar-se entre os estratos mais elevados das revistas educacionais da Área de Educação na classificação do Capes Qualis e de outros indexadores, mas também no de continuar cumprindo sua missão institucional de socializadora das reflexões e propostas que se inscrevem no universo da Pedagogia Crítica, oriundas do Brasil e no exterior.

Relativamente ao conjunto de artigos e resenhas que compõe este número 54, cabem algumas palavras.

Em primeiro lugar, o dossiê, que tem por tema “Decolonialidade e Geopolítica do Conhecimento”, é o último de uma série que incluindo textos recolhidos por edital na denominada “demanda espontânea” no jargão de editores de periódicos. A partir de agora, os artigos que comporão os dossiês serão encomendados a especialistas, nacionais e estrangeiros referenciais nos temas específicos. A “demanda espontânea” continuará sendo feita para os demais artigos e resenhas que comporão cada número da revista, sem obrigatoriamente estarem vinculados ao tema do respectivo dossiê.  Por isso, certamente, terão um número menor de artigos, dado que o interesse desta editoria é que o tema seja abordado por diferentes pontos de vista, de modo permitir, no mínimo, uma reflexão “a favor”, uma “contra” e uma “em termos”, para que os leitores possam optar por uma visão ontológico-epistemológica que lhe convença e que permita ainda ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Nove de Julho (PPGE-UNINOVE), responsável pela Revista, continuar o diálogo dos professores-pesquisadores que compõem seu corpo docente e de seu corpo discente com a comunidade acadêmico-científica nacional e estrangeira, a partir da perspectiva da Pedagogia Crítica.

Emblematicamente, o dossiê da “virada” trata dos processos de “descolonização” – e, aqui, neste editorial, preferimos o vocábulo ao desprovido do “s” –, ou seja, embora seja o último da série composta por artigos captados por edital, ele reitera uma posição pedagógica que não pretende substituir quaisquer etnocentrismos, mas que propõe uma verdadeira geopolítica do conhecimento. Em termos mais simples e objetivos, Eccos continuará buscando uma relação mais horizontal, menos hierarquizada, mais autônoma e soberana, tanto entre as produções científicas dos pensadores dos países centrais, quanto  entre as dos pesquisadores dos países da periferia do Capitalismo. Como o sujeito da produção cultural é mais do que coletivo, é transcultural, seria uma contrassenso denunciar o “eurocentrismo” ou o “ianquicentrismo” da produção científica no campo da educação, assumindo também uma posição neo-etnocêntrica, a partir da periferia ou dos ex-colonizados.

Com um dossiê composto por 8 (oito) artigos, dadas as novas orientações editoriais, seja pelo fluxo contínuo, seja pelos limites estabelecidos para cada número do periódico, foram captados mais 6 (seis) artigos e 3 (três) resenhas, para que se alcançasse o escopo de um número. De agora em diante, os números da revista terão, aproximadamente, os mesmos números de caracteres com espaço, conforme poder-se-á verificar nas novas orientações de EccoS.

Os artigos captados em edital tratam de uma variada gama de temas, dentre os quais se destacam, a geografia e a corografia brasileiras, a função social da escola, a formação docente sob a perspectiva da subjetividade, o papel do educador da infância, a frequente retomada do bullying escolar e a nova reflexão sobre a art(e)biologia como instrumento para olhar a educação.

A demanda espontânea acabou levando a uma expressiva oferta de artigos – o que comprova o prestígio da Revista –  que, acumulados no site da EccoS, obrigou os editores que nos antecederam ao fechamento temporário dos editais de chamada para a submissão de trabalhos científicos. Estamos tentando, juntamente com o Professor Doutor Carlos Bauer, a quem devemos os mais efusivos agradecimentos, “limpar a área”, dando o devido destino aos textos remanescentes na plataforma da Revista (mais de duas centenas), agradecendo aos autores a generosa contribuição e, ao mesmo tempo, desculpando-nos por eventuais demoras nas respostas sobre o encaminhamento de seus artigos. 

 

Editores

José Eustáquio Romão

Maurício Pedro da Silva


[1] Numa recente mudança estrutural dos critérios de avaliação, o sistema Qualis Capes alterou os estratos de classificação das revistas e Eccos ficou no estrato “A 3”.


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DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n54.18328

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