Novos arranjos familiares e homoparentalidade: uma apreciação do jogo da vida “famílias modernas”

Everton Ribeiro, Marcos Antonio Hoffmann Nunes, Araci Asinelli-Luz

Resumo


Apesar da compreensão de que os arranjos familiares no Brasil têm mudado, inclusive por dados do último Censo Demográfico (IBGE, 2010), a legislação brasileira ainda é muito ambígua e tendenciosa em sua interpretação ao atribuir conceitualmente à entidade familiar como sendo a convivência duradoura, pública e contínua, de um homem e uma mulher, estabelecida com objetivo de constituição de família. Desta forma, qualquer concepção que fuja deste padrão estabelece uma dificuldade de se conceber enquanto família por fugir do  convencional estereótipo ‘comercial de margarina’. O não reconhecimento conduz à exclusão e, consequentemente, à violação dos direitos humanos, marginalizando e estabelecendo uma condição de subalternidade a casais que não correspondem à norma instituída. Deste modo, este trabalho propõe-se a realizar uma análise sobre a representação e performatividade de outras entidades familiares abordadas numa edição do Jogo da Vida – jogo de tabuleiro da Estrela – chamada “Famílias Modernas”. No jogo, além da família tradicional, as entidades familiares gay, filho adotivo, independente e filho de divorciados estão presentes nas possibilidades de desenvolvimento de uma pessoa ao longo de sua vida pessoal e profissional. Sendo assim, intentamos analisar em que medida este jogo contribui para o respeito à diversidade, às novas formações familiares e à quebra de padrões e estereótipos perpetuados pela mídia acerca de indivíduos homossexuais ou aqueles que, simplesmente, não têm vontade de manter uma relação estável com outra pessoa.

 

 


Palavras-chave


Discriminação; Família; Performatividade; Representações sociais; Sexualidade

Texto completo:

PDF

Referências


BRASIL. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Censo demográfico 2010: famílias e domicílios: resultados da amostra. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. Disponível em: . Acesso em: 18/07/2017.

BRASIL. Projeto de Lei 6.583, de 16 de outubro de 2013. Dispõe sobre o Estatuto da Família e dá outras providências. Câmara dos Deputados, Brasília, DF, 16 out. 2013. Disponível em: . Acesso em: 18/07/2017.

BRASIL. Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 4277 e Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 132/RJ. Supremo Tribunal Federal, Brasília, DF, 05 mai. 2011. Disponível em: . Acesso em: 11/04/2018.

CASTELLS, M. O poder da identidade. São Paulo: Paz e Terra, 2010.

DIAS, B. M. A união homoafetiva e a Constituição Federal. In: COSTA, Horácio Costa et al (Org.). Retratos do Brasil homossexual: fronteiras, subjetividades e desejos. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Imprensa Oficial, 2010. p. 22.

FURLANI, Jimena. Existe “ideologia de gênero”?. Pública, São Paulo, 30 ago. 2016. Disponível em: . Acesso em: 03/11/2017.

JOGO da vida família modernas. Itapira, SP: Estrela, 2011. 1 tabuleiro + 1 roleta + 160 pinos + 8 carrinhos + 56 cartas + 360 notas em caixa.

LACOMBE, Milly. Lado a lado. Gol, São Paulo, ano 16, n. 183, p. 100-108, jun. 2017.

LOURO, G L. (Org.). O Corpo Educado: pedagogias da sexualidade. 3ª Ed. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013.

MELLO, Luiz; GROSSI, Miriam; UZIEL, Anna Paula. A escola e @s filh@s de lésbicas e gays: reflexões sobre conjugalidade e parentalidade no Brasil. In: JUNQUEIRA, Rogério Diniz (org.). Diversidade sexual na educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, UNESCO, 2009. p. 159-181.

PRECIADO, Beatriz. Qui défend l’enfant queer?. Libération, Paris, 14 jan. 2013. Disponível em: . Acesso em: 20/07/2017.

ZAMBRANO, Elizabeth; MOURÃO, Janne Calhau; CASSAU, Luan Carpes Barros. Psicologia, sexualidade, novas configurações familiares e aspectos legais da promoção de direitos. In: Psicologia e diversidade sexual: desafios para uma sociedade de direitos. Brasília: Conselho Federal de Psicologia, 2011. p. 109-129.




DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n56.11452

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2021 EccoS – Revista Científica

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Compartilhar igual 4.0 Internacional.

EccoS – Revista Científica

e-ISSN: 1983-9278
ISSN: 1517-1949
www.revistaeccos.org.br

EccoS – Revista Científica ©2021 Todos os direitos reservados.

Esta obra está licenciada com uma Licença 
Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional