A potência da pedagogia freireana no contexto do autoritarismo na educação brasileira

Lúcio Gomes Dantas, Lêda Gonçalves de Freitas

Resumo


O presente artigo tem como objetivo refletir sobre a potência da educação freireana frente ao ímpeto conservador autoritário do Brasil contemporâneo, expondo a ascensão do movimento reacionário em curso no Brasil. Para tanto, aponta como a história do Brasil é marcada pelo autoritarismo, em que se produziu a morte de milhares de povos originários; o processo de escravidão, que humilhou e vilipendiou centenas de outras pessoas; as ditaduras e a profunda desigualdade social encravada no país. Metodologicamente, tem-se um estudo exploratório que propicia uma reflexão sobre o legado da obra de Paulo Freire frente à afirmação de valores plurais e democráticos, necessários para realizar uma educação dialógica e problematizadora. Apresenta ainda elementos autoritários que já estão postos no contexto educacional brasileiro sob o espectro sombrio do perigo totalitário. Nesse sentido, este estudo ancorou-se nas luzes do pensamento arendtiano a respeito do sistema totalitário, reportando-se a um tempo de limitações de liberdade, de rigorosa perseguição política e de injustiça social. Entretanto, é pela indignação que se faz mover o mundo, sem perder a esperança de poder apreciá-lo na “boniteza” que a construção pedagógica, politicamente assumida, leva à liberdade. Assim, quando as raízes da educação são fincadas no horizonte da equidade, da amorosidade com as pessoas e da plena cidadania, a educação se torna humanizadora. Com isso a educação libertadora, sob a égide do pensamento de Paulo Freire, pode ancorar-se, sem sombra de dúvidas, em princípios éticos, para se alcançar os mais altos graus da escala do desenvolvimento humano.

 

 


Palavras-chave


autoritarismo; dialogicidade; educação brasileira; pedagogia freireana

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DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n58.15685

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