Censura literária infanto-juvenil e lawfare em “tempos democráticos”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5585/eccos.n69.26391

Palavras-chave:

autoritarismo, censura, educação literária, novas direitas

Resumo

O artigo problematiza a agudização de movimentos de censura no Brasil em relação à educação literária para as infâncias e juventudes, destacadamente nas escolas e sobre os processos recentes de oferta e escolha de obras pelo PNLD (Programa Nacional do Livro e do Material Didático), considerando a ascensão das novas direitas transnacionais e suas agendas regressivas no campo da cultura, da educação e dos direitos (lawfare). O manuscrito, de cunho teórico-metodológico cartográfico, exemplifica e analisa algumas das motivações da censura, através de estudos críticos da infância, assim como sobre as extremas direitas políticas e seus impactos sociais/ culturais. O trabalho evidencia o recrudescimento da fragilização do direito humano de crianças, adolescentes e jovens à educação democrática, à informação e à livre participação na vida cultural e artística, como preconizam a Convenção sobre os Direitos das Crianças (Unicef, 1989) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (Brasil, 1990), enquanto destaca algumas frentes contra hegemônicas de atuação, centralizando o papel e mediações da leitura literária.

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Biografia do Autor

Heloísa A. Matos Lins, Faculdade de Educação da Unicamp

Professora Associada da Faculdade de Educação da UNICAMP. Atua nos cursos de Graduação e Pós-Graduação em Educação. Líder do Grupo de Pesquisa Infâncias, Diferenças e Direitos Humanos (INDDHU) e membra da Linha Linguagem e Arte em Educação (PPGE-FE/UNICAMP). 

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Publicado

14.06.2024

Como Citar

LINS, Heloísa A. Matos. Censura literária infanto-juvenil e lawfare em “tempos democráticos”. EccoS – Revista Científica, [S. l.], n. 69, p. e26391, 2024. DOI: 10.5585/eccos.n69.26391. Disponível em: https://periodicos.uninove.br/eccos/article/view/26391. Acesso em: 17 jul. 2024.

Edição

Seção

Dossiê 69 - Educação e Literatura