Preconceito e educação infantil: a gênese dos comportamentos segregacionistas na primeira infância

Alessandra Maria Martins Gaidargi-Garutti, José Eustáquio Romão

Resumo


O presente artigo apresenta apontamentos acerca da formação dos comportamentos de segregação na idade pré-escolar, suas raízes e motivações, a partir de pesquisa de caráter bibliográfico. São apresentados, neste estudo, dados sobre o comportamento das crianças em idade pré-escolar, que podem auxiliar o entendimento de seus parâmetros na formação comportamental e no estabelecimento de conceitos. Conclui-se que o preconceito não é inato, apontando a importância da mediação dos educadores em determinadas situações do cotidiano escolar, direcionando as relações para evitar que os agrupamentos naturais da humanidade, na busca por seus pares, se tornem instrumentos de ação preconceituosa entre os estudantes. A análise final aponta também para a necessidade da mediação respeitosa dos adultos nas relações entre as crianças no período da Educação Infantil, visto que estas ainda caminham para a autonomia, como é próprio da infância, e os cuidadores representam uma ponte com o mundo externo à escola.


Palavras-chave


Comportamento; Educação infantil; Infância; Preconceito.

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DOI: https://doi.org/10.5585/cpg.v19n2.18366

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