A potência e atualidade da obra Pedagogia do Oprimido frente a atual onda neoconservadora

Valdo Barcelos, Maria Aparecida Azzolin

Resumo


Este texto tem como objetivo refletir sobre a potência da obra freireana em geral e, em particular, sobre a atualidade do Pedagogia do Oprimido como forma de enfrentar a onda Neoconservadora que se abate sobre o mundo e o Brasil. Essa Onda Neoconservadora tem raízes fortemente presas ao pensamento fascista. Certamente que nem todo pensamento nacionalista/ultranacionalista desemboca, em regimes fascistas. Contudo, há que se estar atento, pois, de uma política nacionalista para a construção de um estado fascista podemos estar apenas a um passo. Assim que todas as pessoas e instituições que têm apreço pela democracia precisam estar atentos aos sinais de exacerbação de ideologias e de práticas que incentivem ultranacionalismos. De outra forma, há que entendermos que o fascismo não tem apenas um único rosto. Ao contrário, ele pode se apresentar com várias peles diferentes. Essa constatação, contudo, não deve servir para nos desesperançar. Ao contrário, deve ser um estímulo no sentido de nos inquietar, de nos fazer refletir sobre a realidade brasileira e, assim, nos movimentar na direção de uma educação que seja mais parecida com a cara miscigenada das gentes de Pindorama. Aos que bradam a expulsão de Freire e de suas ideias, de nossas escolas e universidades, devemos responder com mais propostas freireanas e não com menos. Se tivéssemos conseguido fazer Freire e seu legado mais encarnados em nossa educação, com certeza, certos ressurgimentos obscurantistas teriam muito mais dificuldades de renascer das cinzas de um passado de autoritarismos de triste lembrança.


Palavras-chave


educação e ultranacionalismo; onda neoconservadora; pedagogia do oprimido

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n59.12399

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