Indústria cultural e reificação: a subjetividade infantil em foco

Lucilene Schunck Costa Pisaneschi

Resumo


O presente artigo apresenta um recorte de uma investigação que se dedicou a pesquisar a construção da subjetividade infantil no seio do modelo social capitalista vigente. As considerações aqui tratadas têm como objetivo discutir as relações existentes entre a Indústria Cultural e o processo de reificação infantil. A contemporaneidade tem produzido uma infância que expressa uma criança cada vez mais fragmentada: ora segura de si, ora dependente; ora autônoma; ora tutelada; ora um indivíduo que existe aqui e agora; ora um ser a ser preparado para o futuro. A pesquisa em questão, de caráter qualitativa, tomou como fontes de análise matérias jornalísticas veiculadas pela mídia impressa e digital que apresentam a maneira como os pequenos têm sido inseridos, de forma frenética, na lógica do consumo. Do ponto de vista teórico- metodológico tomamos como referência a teoria crítica frankfurtiana, em especial, as reflexões dos pesquisadores da primeira geração da escola de Frankfurt.  A análise do material possibilitou identificar como a presença de mecanismos criados pela Indústria Cultural tem operado a favor da universalização dos sujeitos contribuindo, do ponto de vista da infância, para a anulação das singularidades e para a reificação das crianças. Foi possível, também, trazer à tona as formas com que os pequenos olham para a realidade para além dos destroços que acumula, indicando-nos caminhos possíveis de resistências.


Palavras-chave


crianças; indústria cultural; infância; reificação; teoria crítica.

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DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n60.13627

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