Paulo Freire e seu legado para uma educação democrática: uma análise dialógica do retrato roubado dos educadores brasileiros

Laura Sacco dos Anjos Torres, Maristani Polidori Zamperetti

Resumo


Atualmente, a palavra democracia vê-se mascarada através de sentidos despolitizados frente às demandas de mercado, à conjuntura geopolítica contemporânea, sendo operacionalizadas ações de coerção social através de mecanismos pelos quais o poder disciplinar estatal é exercido. Assim, há que se indagar sobre como este atua no sentido de construir “verdades”, “mitos”, correlacionando-as à problemática de construção de saberes. Nesse sentido, torna-se evidente a atualidade do pensamento freiriano, tendo em vista o seu clamor por uma sociedade justa, consciente, democrática. Diante disso, em frente às transformações políticas e socioeconômicas oriundas de um paradigma produtivo globalizado, os educadores brasileiros encontram dificuldades em compreender as relações entre educação e economia. Neste ambiente, passam a vigorar questionamentos a respeito das atribuições da escola e das funções desempenhadas pelo professor. Além disso, pode-se afirmar que no Brasil as representações de professor são construídas a partir de vozes e discursos que não emanam dos educadores, mas provêm de outros profissionais, tais como jornalistas, economistas e políticos. Isto significa que a sociedade está imersa em um processo de globalização que tende a adotar uma política educacional pelos parâmetros da ideologia capitalista neoliberal, o que torna imprescindível o pensamento de Paulo Freire, em seu legado para uma educação democrática e em sua pedagogia dialógica, reiterando a sua importância em virtude dos ataques que vem sofrendo frente à política de intolerância que tem assolado o país, e que se intensificou após período das eleições de 2018.

 


Palavras-chave


educação brasileira; pedagogia dialógica; identidade; professor; democracia

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DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n61.15709

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