Extensão universitária libertadora como lugar de resistência

Janine Moreira

Resumo


Após mais de 50 anos da publicação da Pedagogia do Oprimido, o livro ganha nova atualidade devido à onda conservadora instalada em vários lugares do mundo, inclusive no Brasil. Paulo Freire é reconhecido como importante denunciador do papel social da educação, de manutenção de uma sociedade injusta, e como proponente de uma educação direcionada para a transformação dessa estrutura social. A extensão universitária é uma ação educativa que, igualmente, pode ter efeitos mantenedores ou transformadores da sociedade. O livro do autor Extensão ou Comunicação?, ainda que escrito para refletir a prática extensionista rural, tornou-se uma referência para se pensar a prática extensionista universitária. O presente artigo, de caráter teórico, problematiza as armadilhas de uma “extensão dominadora” – mesmo que as intenções não sejam estas - e traz elementos para que possamos estar vigilantes na busca de uma “extensão libertadora”, extensão popular, como um lugar de resistência em tempos conservadores. A invasão cultural, a diminuição do outro enquanto necessitado, o não reconhecimento do outro como detentor de um saber ainda dão o tom às extensões universitárias, a maioria das vezes, de forma alienada por parte de seus executores. É preciso estar vigilante para com estas armadilhas e não perder o caminho de uma extensão “comunicativa”, que reconhece o outro como sujeito e como detentor de um saber válido. E esta extensão implica em uma outra forma de se fazer ensino, pesquisa e gestão universitária, todos perpassados pelo diálogo conscientizador, que ainda é um grande instrumento educativo de resistência frente à opressão. 

 


Palavras-chave


diálogo; educação libertadora; extensão universitária; resistência.

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DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n61.15785

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