Experiência e educação estética: sentidos e epifanias de um sarau infantil na universidade federal da Bahia

Cilene Nascimento Canda, Leila Damiana Almeida dos Santos Souza, Kleber Peixoto de Souza

Resumo


A pesquisa refere-se à integração de ações desenvolvidas a partir do Sarau Infantil: Toda Criança é um Poema. O Sarau se configura em diversificados espaços/tempos de apreciação e de produção artística, permeados por experiências corporais e sensíveis entre estudantes de licenciaturas da UFBA e crianças de escolas públicas. Intentamos pesquisar quais sentidos seriam produzidos pelos estudantes das licenciaturas a partir da experiência do Sarau Infantil, de modo que refletissem sobre os processos formativos a partir da vivência com as crianças. A fundamentação teórica se valeu dos estudos de Jacques Rancière (2005), acerca da partilha do sensível e a integração do saber, do pensar e do sentir; as contribuições de Friedrich Schiller (2002) sobre Educação Estética que permite passarmos do estado passivo da sensibilidade para o estado ativo do pensamento; Os estudos de Carbonell (2012) sobre o binômio “experiência-estética” que se relaciona ao exercício de sensibilidade; Dos construtos Maffesoli (2008) sobre sensibilidade e razão. Metodologicamente, os pressupostos da Pesquisa Participante permitiram que os participantes se enxergassem como agentes ativos da pesquisa, produzindo conhecimento e intervindo artisticamente na realidade. Duas categorias conduziram as análises: 1. Os sentidos produzidos sobre a experiência do Sarau; 2. A experiência de cunho estético, sentidos e reflexões na formação. Concluímos que poucos licenciados tinham vivenciado experiências estéticas/sensíveis ao longo da graduação. Outro aspecto levantado foi o distanciamento das licenciaturas dos estudos sobre infâncias. O Sarau Infantil demonstrou ser um momento rico de formação, onde foi possível viver, pensar, dar sentido e realizar inferências autônomas nos percursos formativos.

Palavras-chave


Educação Estética. Crianças. Formação. Sarau Infantil.

Texto completo:

PDF

Referências


ARAÚJO, Miguel Almir Lima de. Os sentidos da sensibilidade: sua fruição no fenômeno de educar. Salvador: EDUFBA, 2008.

ARENDT, Hannah. Liberdade para ser livre. Tradução e apresentação: Pedro Duarte. Rio de Janeiro: Bazar do tempo, 2018. Coleção Por que política? V. 3.

AUTORA1 et al., (2019). Arte, interdisciplinaridade e infância: experiências estéticas, artísticas e brincantes no Sarau Toda Criança é um Poema. In: Revista Entreideias, Salvador, v. 8, n. 2, p. 211-232, maio/ago. 2019.

AUTORA2. Potes que guardam vidas, vidas que viram histórias: a poteca como ação interativa nas narrativas de crianças e adultos do assentamento Rose, na região sisaleira de Santaluz, Ba. Tese (doutorado) Universidade Federal da Bahia. Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos, Salvador, 2019.

CARBONELL, Sônia. Educação estética na EJA: a beleza de ensinar e aprender com jovens e adultos. São Paulo: Cortez, 2012

DEMO, Pedro. Pesquisa participante: saber pensar e intervir. Brasília: Liber Livro editora, 2004. (Série Pesquisa em Educação, v. 8).

DEWEY, J. Experiência e educação. Tradução de Anísio Teixeira. São Paulo: Editora Nacional, 1971.

DUARTE JÚNIOR, J.-F. Fundamentos estéticos da educação. 2. ed. Campinas: Papirus, 1998.

DUARTE JÚNIOR, J.-F.O sentido dos sentidos: a educação (do) sensível. 2. ed. Campinas: Papirus, 2001.

DUARTE JÚNIOR, J.-F.. O sentido dos sentidos: a educação (do) sensível. 3. ed. Curitiba: Criar Edições, 2004.

GALEFFI, Dante Augusto. Didática filosófica mínima: ética do fazer-aprender a pensar de modo próprio e apropriado como educar transdisciplinar. Salvador: Quarteto, 2017.

ISSE, R. Educação estética: uma ponte entre Schiller e Habermas. Porto Alegre: UFRGS, 2007. Dissertação de Mestrado.

MAFFESOLI, Michel. Elogio da razão sensível. 4ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

NAJMANOVICH, D. O sujeito encarnado: questões para pesquisa no/do cotidiano. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.

RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível: estética e política. Tradução de Mônica Costa Netto. São Paulo: EXO experimental org. Ed. 34, 2005.

ROUBINE, Jean-Jacques. Introdução às grandes teorias do teatro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.

SARMENTO, M.; GOUVÊA, M. C. S. (org.). Estudos da infância: educação e práticas sociais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008. (Ciências Sociais da Educação).

SCHILLER, F. A educação estética do homem. Trad. Roberto Schwarz e Márcio Suzuki. São Paulo: Iluminuras, 2002.

VEIGA, Ilma Passos A. Professor: tecnólogo do ensino ou agente social? In: VEIGA, Ilma Passos A. Ana Lúcia Amaral (orgs.). Formação de professores: políticas e debates. 5ª ed. Campinas, SP: Papirus, 2012. Coleção Magistério: Formação e Trabalho pedagógico.

VERÁSTEGUI, R. L. A. A educação estética do ser humano de Friedrich Schiller. Disponível:http://www.unioeste.br/cursos/cascavel/pedagogia/eventos/2007/Simpósio%20Academico%202007/Trabalhos%20Completos/Trabalhos/PDF/57%20Rosa%20de%20Lourdes.pdf>. Acesso em 22/02/2020.




DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n53.16705

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2020 EccoS – Revista Científica

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Compartilhar igual 4.0 Internacional.

EccoS – Revista Científica

e-ISSN: 1983-9278
ISSN: 1517-1949
www.revistaeccos.org.br

EccoS – Revista Científica ©2022 Todos os direitos reservados.

Esta obra está licenciada com uma Licença 
Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional