Apresentação Dossiê Avaliação da Aprendizagem na Educação Superior

Joe Garcia

Resumo


Este Dossiê Temático apresenta um conjunto de pesquisas sobre avaliação da aprendizagem na Educação Superior, um tema certamente relevante, sobretudo em tempos de pandemia, cuja investigação, em diversos países, segue avançando neste século. Os textos aqui publicados formam um quadro interessante de questões, que interessam e indagam os professores que atuam na Educação Superior. De um lado, análises sobre desafios encontrados no cotidiano das práticas pedagógicas universitárias, que invariavelmente exigem reflexões e adaptações dos professores, muitas vezes em contextos complexos, como é o caso da pandemia. Do outro, a exploração de questões teóricas, necessárias e urgentes, que nos parecem revelar a vitalidade persistente deste campo de investigação.

O primeiro artigo deste dossiê, Avaliação na Educação Superior: limites e possibilidades de uma experiência, assinado por Marcos Villela Pereira, Sônia Maria de Souza Bonelli e Síntia Lúcia Faé Ebert, professores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), analisa a ideia de avaliação, com base em registros realizados por professores supervisores da disciplina Estágio Curricular, sobre o percurso de alunos de Pedagogia em estágio nos anos iniciais do Ensino Fundamental, durante a pandemia de COVID-19. A experiência envolveu a utilização de e-portfólio, como instrumento de apropriação crítica e de avaliação formativa. Isso possibilitou, aos professores supervisores, rever seus entendimentos sobre concepções de avaliação e ampliar suas visões sobre as possibilidades de vínculo, na educação remota, em tempos de exceção. Este artigo, ao indagar sobre como os professores pensam e realizam a avaliação das aprendizagens dos estudantes, no contexto dos estágios curriculares, endereça alguns desafios recentes colocados pelo período da pandemia ao tecido complexo da formação universitária.

O segundo, As Práticas de Avaliação da Aprendizagem na Concepção dos Alunos do Curso de Administração da Universidade Estadual do Paraná, escrito por Cleverson Molinari Mello (UNESPAR) e Pedro Leão da Costa Neto (UTP), apresenta uma investigação sobre o processo de avaliação da aprendizagem no curso de Administração, em uma universidade pública. O texto indaga se as práticas de avaliação cumprem um papel pedagógico formativo. Questiona se elas contribuem, afinal, para o processo de ensino-aprendizagem, ou se apenas servem como instrumento tradicional de verificação de retenção de conteúdos. O artigo explora a distância entre a ideia de avaliação da aprendizagem apresentada no projeto político-pedagógico de uma universidade, em relação a uma proposta de avaliação formativa, questionando a inclinação dos planos de ensino exercidos pelos professores. A pesquisa nos apresenta questões de longo alcance, sobre a fragmentação de ideias e práticas sobre avaliação e sobre a coerência pedagógica necessária às direções avaliativas assumidas pelos professores em suas práticas didáticas, que podem colocar a formação dos alunos à deriva em nossas universidades. Afinal, nas práticas avaliativas estão refletidas tanto posições didáticas, quanto visões de mundo. Tal como argumentam os autores, o modo como os professores enxergam o mundo e fundamentam seus entendimentos sobre a educação, determina sua relação com a avaliação.

O terceiro artigo, Avaliação em cursos superiores de Artes: a ênfase no processo e a educação pelo sensível, escrito por Josélia Schwanka Salomé (UTP) e Maria Cristina Mendes (UEPG), analisa a questão da subjetividade presente nas práticas de avaliação da aprendizagem exercidas nos ateliês de cursos de graduação em Arte, na Educação Superior. Nesses cursos, os processos de ensino e aprendizagem apresentam certas singularidades, tais como a necessária articulação entre a formação estética e poética, que torna a avaliação da aprendizagem um campo bastante complexo. Nos cursos de Artes, ao mesmo temo em que é necessário superar visões teóricas sobre formação voltadas apenas ao desenvolvimento de habilidades cognitivas dos estudantes, é também fundamental levar as práticas de avaliação para além dessa perspectiva. O estudo apresentado identifica possíveis abordagens de avaliação, no contexto da Educação Superior, que possam conjugar critérios que possibilitem um equilíbrio entre aquisição de conhecimento e educação pelo sensível. Argumenta por uma educação integral, que incentiva a pesquisa e considera a relação entre especificidades da área e equilíbrio afetivo-emocional, e que enfatiza o caráter processual da avaliação, destacando o papel do olhar sensível dos professores na direção de como os estudantes efetivamente constroem conhecimento. O artigo afirma a necessária atenção tanto ao processo quanto ao produto final, em processos de avaliação, que assim precisam ser concebidos a partir de critérios que articulem questões subjetivas e objetivas, o que exige transformar os moldes avaliativos tradicionais exercidos nos cursos de graduação em Arte.

O artigo subsequente, intitulado Formação pedagógica de professores e avaliação da aprendizagem na universidade: contribuições da pesquisa-ação, assinado por Maria Iolanda Fontana (UTP), analisa os reflexos da construção de conhecimento dentro de práticas avaliativas de concepção formativa, para a formação pedagógica na universidade, mediada por processos de pesquisa-ação. A pesquisa explora dados qualitativos de uma pesquisa-ação desenvolvida junto a professores de diferentes cursos de graduação, dentro de uma universidade privada. Revela que a utilização dessa abordagem se reflete no processo de formação continuada dos professores, bem como em suas práticas de avaliação da aprendizagem dos estudantes. Nessa perspectiva, a avaliação da aprendizagem se torna objeto de problematização e ação coletivas, articuladas tanto com o avanço das práticas pedagógicas, quanto com a necessária aprendizagem discente. O artigo descreve avanços interessantes que podem surgir nas formas de exercer a avaliação da aprendizagem em cursos de graduação, a partir de sua articulação a processos de formação de professores pela pesquisa-ação, destacando principalmente o papel da atitude investigativa dos professores frente ao compromisso com a democratização do conhecimento e com a aprendizagem de todos os estudantes.

Completando este dossiê, temos o artigo intitulado Impactos da pandemia de covid-19 nas práticas de avaliação da aprendizagem na graduação, escrito por Joe Garcia (UTP) e Nicolas Fish Garcia (UFPR). Nele, é apresentada uma pesquisa de natureza qualitativa e exploratória que analisa o impacto da pandemia de COVID-19, ocorrida ao longo de 2020, sobre os processos e significados da avaliação da aprendizagem de estudantes de graduação. Os dados analisados se baseiam em entrevistas on-line junto a um grupo de professores, de diferentes universidades brasileiras, tendo por foco as mudanças observadas em suas práticas de avaliação, relacionadas ao contexto de ensino remoto e das adaptações pedagógicas surgidas em função da condição de pandemia que afetou drasticamente as instituições educacionais em todo o planeta. A pesquisa apresentada identificou mudanças nas estratégias didáticas, nos critérios avaliativos e nos significados das práticas de avaliação.

Embora todos os artigos reunidos neste dossiê enderecem questões sobre avaliação da aprendizagem na Educação Superior, o fazem considerando diferentes perspectivas e perguntas a responder. Em comum, o desejo de nos apresentar análises atuais e significativas, particularmente explorando questões encontradas na vastidão sempre a investigar das práticas pedagógicas dos professores.


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DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n55.18869

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