Estigma da mulher transexual e as consequências para o consumo

Míriam de Souza Ferreira, Severino Joaquim Nunes Pereira

Resumo


Objetivo: A presente pesquisa teve como objetivo analisar como o estigma sofrido por mulheres transexuais afeta o consumo das mesmas durante e após a readequação de gênero.

Método: Foram empregados como instrumentos de coleta de dados seis observações não participantes e nove entrevistas em profundidade com mulheres transexuais residentes da cidade do Rio de Janeiro. Como método de análise foi utilizada a análise de conteúdo.

Originalidade/Relevância: O presente estudo visa ampliar os estudos interpretativos de consumo em torno das temáticas de gênero, estigma, liminaridade e vulnerabilidade de consumo.

Resultados: O estigma moldou práticas de consumo de duas maneiras: ora reforçando estereótipos de gênero, ora por meio de micro resistências de consumo. Além disso, observou-se que essas mulheres precisaram negociar entre os dois universos de consumo (masculino e feminino) devido ao estigma. E, por fim, os resultados também apresentaram evidências de vulnerabilidades de consumo durante a tentativa de redução do estigma.

Contribuições teóricas/metodológicas: Esta investigação é relevante uma vez que contribui para a agenda de pesquisas da Consumer Culture Theory (CCT) ao mostrar como os estigmas sociais instituem padrões de consumo e, consequentemente, como identidades de mulheres transexuais foram socialmente construídas, legitimadas e negociadas a partir da existência desses estigmas.

Contribuições sociais: Tendo em vista as vulnerabilidades de consumo evidenciadas nesta pesquisa, é possível que o Estado pense políticas públicas que visem gerar condições mais justas e menos precárias de sobrevivência de mulheres transexuais na sociedade.

Palavras-chave: Consumo; Estigma; Vulnerabilidade; Consumo Liminar; Transexualidade


Palavras-chave


Consumo; Estigma; Vulnerabilidade; Consumo Liminar; Transexualidade

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DOI: https://doi.org/10.5585/remark.v19i4.14671

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