Formação docente e trabalho educativo na educação infantil: algumas reflexões

Ilaine Inês Both, Michelle de Freitas Bissoli

Resumo


A formação docente superficial e pragmática colabora para o esvaziamento do trabalho educativo e do processo de humanização. Esses fenômenos se coadunam com as limitadas condições de vida e de educação da ampla maioria das mulheres e dos homens do nosso país, fruto da estrutura social vigente, organizada na lógica do capital. Essa afirmação resulta da pesquisa de doutorado, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que analisou, sob a luz da Teoria Histórico-Cultural e da Pedagogia Histórico-Crítica, elementos do trabalho educativo desenvolvido em 2014, com crianças da pré-escola de uma escola pública municipal de Manaus, Amazonas. A observação participativa em uma turma frequentada por vinte crianças de 4 e 5 anos de idade e o Grupo Focal com três professoras da pré-escola foram os instrumentos principais da pesquisa de campo. O estudo demonstra que o trabalho educativo, categoria central dessa pesquisa, foi predominantemente caracterizado pelo pragmatismo e espontaneísmo, o que contribui para a manutenção do acentuado estado de desumanização de professores e crianças. A superação dessa situação passa pela socialização do conhecimento em sua forma mais elaborada, função precípua da escola. Para tanto, apontamos a unidade dialética entre a teoria e a prática na formação docente como uma das possibilidades para a necessária e desafiadora busca do aprimoramento do trabalho educativo na Educação Infantil.

 

 


Palavras-chave


educação infantil; formação docente; trabalho educativo.

Texto completo:

PDF

Referências


ANDRÉ, Marli E. D. A. A pesquisa no cotidiano escolar. In: FAZENDA, Ivani (org.). Metodologia da Pesquisa Educacional. 9. Ed. São Paulo: Cortez, 2004.

ANTUNES, Ricardo. Adeus ao trabalho?: ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho. 14. ed. São Paulo: Cortez, 2010.

ANTUNES, Ricardo. Os sentidos do Trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. 2. ed. São Paulo, SP: Boitempo, 2009.

BOTH, Ilaine Inês. Esvaziamento do trabalho educativo na pré-escola, suas causas e implicações na formação das crianças: investigação em uma unidade escolar pública municipal em Manaus. 2016, 325f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2016.

BISSOLI, Michelle de Freitas; BOTH, Ilaine Inês. Dos sentidos da formação aos sentidos do trabalho docente. In: CORRÊA, Carlos. Humberto. Alves; CAVALCANTE, Lucíola Inês Pessoa; AUTOR (orgs.). Formação de Professores em perspectiva. Manaus: EDUA, 2016. p. 15-55.

BISSOLI, Michelle de Freitas. Educação e desenvolvimento da personalidade da criança. Contribuições da Teoria Histórico-Cultural. Marília, 2005, 287f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – Campus de Marília, 2005.

BRASIL. Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF, 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm. Acesso em: 06 abr. 2019.

CORDEIRO, J. Super-ricos estão ficando com quase toda a riqueza, às custas de bilhões de pessoas. Oxfam Brasil, 23 jan. 2018. Disponível em: https://www.oxfam.org.br/tags/concentracao-de-riqueza. Acesso em: 04 abr. 2019.

DERISSO, José Luis. Construtivismo, pós-modernidade e decadência ideológica. In: MARTINS, Lígia Márcia; DUARTE, Newton (orgs.). Formação de professores: limites contemporâneos e alternativas necessárias [online]. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010. Disponível em: . Acesso em: 14 dez. 2014. p. 51-61.

ENGELS, Friedrich. Princípios Básicos do Comunismo. Obras Escolhidas de Marx e Engels em três tomos. Editorial Avante, 1982.

EVANGELISTA, Olinda; SHIROMA, Eneida Oto. Professor: protagonista e obstáculo da reforma. Educação e Pesquisa. v.33, n.3, p. 531-541, São Paulo, set./dez. 2007.

FERNANDES, Maria José Silva. Formação de professores no Brasil: algumas reflexões a partir do trabalho docente. In: MILLER, Stela; BARBOSA, Maria Valéria; MENDONÇA, Sueli Guadalupe de Lima (Orgs.). Educação e Humanização: as perspectivas da teoria histórico-cultural. Jundiaí, Paco Editorial: 2014. p.111-121.

FREITAS, Luiz Carlos. Os reformadores empresariais da educação e a disputa pelo controle do processo pedagógico na escola. Educação & Sociedade, v. 35, p. 1085-1114, 2014.

GANDINI, Lella; GOLDHABER, Jeanne. Duas reflexões sobre a documentação. In: GANDINI, Lella; EDWARDA, Carolyn. Bambini: a abordagem italiana à educação infantil. Porto Alegre: Artmed, 2002, p. 150-169.

GATTI, Bernadete Angelina et al. A atratividade da carreira docente no Brasil. Estudos & Pesquisas Educacionais. São Paulo: Fundação Victor Civita, 2010.

GATTI, Bernadete Angelina. Grupo focal na pesquisa em ciências sociais e humanas. Brasília: Líber Livro Editora, 2005.

GATTI, Bernadete Angelina; BARRETO, Elma Siqueira de Sá; ANDRÉ, Marli Eliza Dalmazo de Afonso Políticas docentes no Brasil: um estado da arte. Brasília: UNESCO, 2011.

GOMES, H. S. 5 bilionários brasileiros concentram mesma riqueza que metade mais pobre no país, diz estudo. G1.globo, 22 jan. 2018. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/5-bilionarios-brasileiros-concentram-mesma-riqueza-que-metade-mais-pobre-no-pais-diz-estudo.ghtml. Acesso em: 04 abr. 2019.

HELLER, Agnes. O cotidiano e a história. Tradução de Carlos Nelson Coutinho e Leandro Konder. 6. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

LEHER, Roberto. Educação no capitalismo dependente ou exclusão social? In: MENDONÇA, Sueli Guadelupe de Lima; SILVA, Vandeí Pinto da S.; MILLER, Stela. (orgs.). Marx, Gramsci e Vigotski: aproximações. 2. ed. Araraquara, SP: Junqueira & Marin, 2012. p. 223-251.

MACIEL, Camila. Patrimônio dos 26 mais ricos do mundo equivale ao da metade mais pobre. Agência Brasil, 21 jan. 2019. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2019-01/patrimonio-dos-26-mais-ricos-do-mundo-e-igual-ao-da-metade-mais-pobre. Acesso em: 04 abr. 2019.

MARX, Karl. Manuscritos Econômico-Filosóficos e outros textos escolhidos. Coleção Os Pensadores, 4. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1987.

MELLO, Suely Amaral. O desenvolvimento da linguagem oral, escrita e visual. In: BISSOLI, Michelle de Freitas (org.). Fundamentos da Educação Infantil. Manaus: CEFORT/EDUA, 2007.

MELLO, Suely Amaral. Teoria Histórico-Cultural e trabalho docente: apropriação teórica e novas relações na escola. In: MILLER, Stela.; BARBOSA, Maria Valéria; MENDONÇA, Sueli Guadalupe de Lima (orgs.). Educação e Humanização: as perspectivas da teoria histórico-cultural. Jundiaí, Paco Editorial: 2014. p. 173-180.

MÉSZÁROS, István. A educação para além do capital. Tradução Isa Travares. 2 ed. São Paulo: Boitempo, 2008.

MILLER, Stela; BARBOSA, Maria Valéria; MENDONÇA, Sueli Guadalupe de Lima (orgs.). Educação e Humanização: as perspectivas da teoria histórico-cultural. Jundiaí, Paco Editorial: 2014.

MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 12 ed. São Paulo: Hucitec, 2010.

MORAES, Maria Célia Marcondes de. Recuo da teoria: dilemas na pesquisa em educação. In: Revista Portuguesa de Educação, Braga, Portugal, Universidade do Minho, v. 14, n. 1, p. 7-25, jan./jun. 2001.

MORAES, Maria Célia Marcondes de. “A teoria tem consequências”: indagações sobre o conhecimento no campo da educação. Educação & Sociedade. Campinas, v. 30 n.107, p. 585- 607, maio⁄ago, 2009. Disponível em: http://www.cedes.unicamp.br. Acesso em: 10 ago. 2015.

PLACCO, Vera Maria Nigro de Souza; ALMEIDA, Laurinda Ramalho; SOUZA, Vera Lucia Trevisan de. O coordenador pedagógico (CP) e a formação de professores: intenções, tensões e contradições. Estudos & Pesquisas Educacionais, Fundação Victor Civita, 2011. Disponível em: http://www.fvc.org.br/pdf/livro2-04-coordenador.pdf. Acesso em: 20 nov. 2015.

ROSSLER, João Henrique. Sedução e alienação no discurso construtivista. Campinas, SP: Autores Associados, 2006.

SHIROMA, Eneida Oto. O eufemismo da profissionalização. In: MORAES, Maria Celia Marcondes de (org.). Iluminismo às avessas: produção de conhecimento e políticas de formação docente. Rio de Janeiro: DP&A, 2003. p. 61-79.

SILVA, Vandeí Pinto. Formação de professores na perspectiva da filosofia da práxis: quem educa o educador? In: MILLER, Stela; BARBOSA, Maria Valéria; MENDONÇA, Sueli Guadelupe. de Lima (orgs.). Educação e Humanização: as perspectivas da teoria histórico-cultural. Jundiaí: Paco Editorial, 2014. p. 83-96.




DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n57.13538

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2021 EccoS – Revista Científica

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Compartilhar igual 4.0 Internacional.

EccoS – Revista Científica

e-ISSN: 1983-9278
ISSN: 1517-1949
www.revistaeccos.org.br

EccoS – Revista Científica ©2021 Todos os direitos reservados.

Esta obra está licenciada com uma Licença 
Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional