A interculturalidade crítica como alternativa para uma educação crítica e decolonial

Kellyane Lisboa Ramos, Eulina Maria Leite Nogueira, Zilda Gláucia Elias Franco

Resumo


Este trabalho teve origem em um dos capítulos da dissertação de Mestrado, defendida no início de 2020. Cujo objetivo foi explicitar, com base em uma abordagem de pesquisa bibliográfica e crítica, a construção do termo intercultural e sua importância para uma educação crítica e decolonial. Tendo em vista a seguinte problemática: diante das diversas discussões sobre a diversidade cultural, a formação inicial do professor pode favorecer a valorização dos mais diversos conhecimentos culturais? Consideramos que, a despeito das discussões em torno da diversidade cultural, as culturas diversas ainda vivenciam desafios em relação ao reconhecimento e ao respeito às suas diferenças e especificidades. Para que ocorra a construção crítica da realidade, é mister que tenhamos uma educação pautada na valorização da cultura, partindo, a priori, da decolonização do conhecimento, na perspectiva da interculturalidade crítica, enquanto um projeto contra hegemônico. Assim sendo, aponta-se nas conclusões a necessidade de decolonizarmos o conhecimento no ambiente acadêmico, no Ensino Superior, especificamente na formação inicial de professores, a fim de que estes possam construir uma prática docente que contribua para um ensino crítico e emancipador em relação as questões culturais de diversidade. O que implica, que nessa construção a interculturalidade crítica se tem demonstrado como possibilidade para promover a emancipação crítica do indivíduo, por ser uma proposta de educação política, envolvendo uma concepção de ensino que possa contribuir para a transformação social, o que pode repercutir em uma sociedade com menos desigualdades e preconceitos.

Palavras-chave


Interculturalidade crítica; decolonialidade; educação crítica; contra hegemonia.

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DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n54.17339

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