Um diálogo com a sociologia da infância a partir da reprodução interpretativa e culturas de pares nas brincadeiras de crianças

Rafaely Karolynne do Nascimento Campos, Tacyana Karla Gomes Ramos

Resumo


O presente estudo busca analisar as relações entre a Reprodução Interpretativa e a Cultura de Pares presentes nas interações entre crianças que brincam no cotidiano da Educação Infantil sem a interferência do adulto. A pesquisa apoia-se no campo da Sociologia da infância, introduzindo a concepção de criança como ser social pleno, dotado de capacidade de ação e a infância como um grupo social culturalmente ativo e criativo (SIROTA, 2001; CORSARO, 2009, 2011; SARMENTO, 2003) e toma a brincadeira como prática social e cultural construída nas e pelas interações entre as crianças em articulação com o contexto sociocultural em que estão inseridas (BORBA, 2005). A opção metodológica adotada é de cunho qualitativo, configurada na perspectiva etnográfica com crianças. Os dados foram produzidos com o uso de videogravações e descritos em episódios de brincadeira de um grupo de 25 crianças com idade de três anos, de ambos os sexos, em uma instituição de educação infantil da cidade de Aracaju/SE. Os dados revelam o modo como as crianças produzem coletivamente uma rotina na qual compartilham a acumulação de tensão, a excitação da ameaça, o alívio e a alegria da fuga, enfrentando o perigo e o medo, inserindo emoções e sentimentos em suas rotinas de pares, as quais elas produzem e controlam, evidenciando que as rotinas de brincadeiras são elementos constituintes das culturas de pares e que estas são produzidas pelas crianças e compartilhadas na interação com companheiros de idade por meio da reelaboração ativa e inventiva do contexto sociocultural das quais participam ativamente.

 


Palavras-chave


brincadeiras; culturas de pares; reprodução interpretativa; sociologia da infância.

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DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n60.18466

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