Descolonizando linguagens cartográficas – a construção de uma cartografia engajada

Paul Schweizer, Orlando Coelho Barbosa

Resumo


Neste artigo apresentamos algumas práticas desenvolvidas pelo Kollektiv Orangotango, um círculo de geógrafos críticos e amigos, em coevolução desde os anos 2000.  Além das intervenções artísticas no espaço público, a cartografia crítica é parte crucial de nosso trabalho, temos co-conduzido vários mapeamentos coletivos, publicado materiais educacionais de mapeamento, manuais multilíngues, tutoriais em vídeo e uma coleção internacional de contracartografias chamada This Is Not an Atlas. O mapeamento coletivo é um processo de reflexão territorial, conscientização e auto-organização, integrando diferentes tipos de conhecimentos, quotidianos, tradicionais, encarnados e acadêmicos, que podem fluir juntos e abrir espaço para a ação.  Sentimos que é crucial integrar uma noção de "sentipensar" - sentir/pensar - no que, com referência a Bell Hooks, pode ser chamado de "cartografia engajada", ou seja, uma cartografia baseada no diálogo que engaja "coração e mente".  Instaurando uma perspectiva espacial sobre a relação dialética entre nós humanos e nosso meio ambiente, entendemos o mapeamento coletivo como processo de alfabetização geográfica na vida quotidiana e espaço de ação por meio do diálogo "mediado pelo mundo".  Como educadores populares, pesquisadores militantes, lutamos por uma produção horizontal coletiva de conhecimento, por meio de intervenções práticas e reflexão teórica, numa perspectiva de uma cidade educadora.


Palavras-chave


cartografia engajada; cidade educadora; educadores populares; mapeamento coletivo; sentipensar.

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DOI: https://doi.org/10.5585/eccos.n61.21857

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