Vidas negras importam? A urgência de pensar a educação antirracista frente aos impactos da pandemia de COVID-19

Fernanda Carla Da Silva Costa, Viviane Lima Martins

Resumo


Em março de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou como pandemia a COVID-19, doença infecciosa que se espalhou pelo mundo, tornando-se necessárias diretrizes de contenção para redução de sua transmissão.  O impacto dessas medidas foi sentido em âmbito gerais, intensificando a crise político-econômica em boa parte do mundo, o que tornou mais visível as desigualdades sociais, fruto de questões de raça, gênero e classe. Nesse momento, fontes de informação passam a mostrar as consequências disso, a partir do assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos da América (EUA), morto em maio do mesmo ano, por um policial branco, através de asfixia, emergindo, assim, uma série de protestos antirracistas e contra violência policial. No Brasil, esses protestos se juntam a tantos outros casos em debate, como o do menino João Pedro de 14 anos, morto em uma operação policial no complexo do Salgueiro (RJ). Isso tudo, acende debates em torno do racismo, colocado, tantas vezes, como prática vinculada a falta de informação e educação. A partir dessas colocações, questionamos: por que precisamos pensar o antirracismo no contexto da educação na pandemia e no pós-pandemia? Para além, buscamos refletir, a partir de uma base metodológica de revisão de literatura, sobre o racismo e a educação e suas ligações intrínsecas com várias facetas da vida cotidiana e das necessidades do antirracismo como ferramenta de enfrentamento das desigualdades.


Palavras-chave


Educação antirracista; Racismo; Pandemia COVID-19

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DOI: https://doi.org/10.5585/dialogia.n36.17917

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