Somos um imenso bordado de nós: experiências escolares que escapam dos modelos cisheteronormativos

Jucélia Pinto Ferreira, Ana Paula Abrahamian de Souza, Denise Maria Botelho

Resumo


Esse estudo tem o objetivo de problematizar as experiências escolares de cinco estudantes que escapam dos modelos cisheteronormativos de gênero e sexualidade. Utilizamos como aporte teórico-metodológico as contribuições dos estudos feministas, dos estudos gays e da Teoria Queer, centrando a aproximação com esses campos numa perspectiva pós-estruturalista. A presente investigação contou com a abordagem qualitativa e os dados foram construídos a partir da entrevista narrativa e do caderno de memórias. É possível dizer que na educação infantil e no ensino fundamental as experiências escolares das/os protagonistas dessa pesquisa se constroem a partir de referenciais negativos que as/os colocam em posições de subalternidade. Com a chegada do ensino médio, essas/es estudantes conseguiram se conectar com histórias, espaços e narrativas que produzem formas de inteligibilidade para seus grupos de pertença, ao passo que reafirmam e ressignificam suas identidades.


Palavras-chave


cisheteronormatividade; educação escolar; gênero e sexualidade; LGBTQIA+

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DOI: https://doi.org/10.5585/41.2022.21762

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