Paulo Freire e a formação docente: diálogos com a antropofagia e a carnavalização na sala de aula

Letícia Queiroz de Carvalho, Tatyana Rodrigues Barcelos

Resumo


O artigo busca um diálogo entre os pressupostos freirianos sobre a docência presentes, sobretudo, em Pedagogia do oprimido, Pedagogia da autonomia e Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar, o conceito de antropofagia cultural – inspirado na antropofagia Oswaldiana – e a categoria conceitual de Mikhail Bakhtin sobre a carnavalização. Foram investigados, por meio de uma leitura crítica advinda de uma pesquisa bibliográfica, os desafios e as perspectivas na docência da área de Letras em cotejo com os autores escolhidos.  Os resultados dessa interlocução apontam que o professor - sujeito cognoscente e pesquisador da sua prática - poderá assumir nessa perspectiva uma posição ativa e responsiva diante das situações concretas que emergem do contexto em que atua, ao subverter algumas práticas recorrentes nas aulas de Literatura, ainda marcadas por concepções bancárias da educação. Desse modo, o presente trabalho pretende constituir-se como apoio teórico-metodológico para subsidiar processos formativos na área de Letras.


Palavras-chave


antropofagia cultural; carnavalização; docência; Paulo Freire

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DOI: https://doi.org/10.5585/42.2022.22850

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