A incidência feminina nas pesquisas sobre pedagogia decolonial, com ênfase nos estudos de gênero e sexualidades na educação formal brasileira em periódicos nacionais: uma revisão sistemática de literatura

Aline Belle Legramandi, Rita de Cassia Gallego, Manuel Tavares

Resumo


Este estudo, de abordagem quanti-qualitativa, apoia-se nos teóricos decoloniais e tem como objetivo geral descrever e analisar a incidência da participação feminina nas pesquisas sobre pedagogia decolonial, com ênfase nos estudos de gênero e sexualidade na educação formal brasileira em periódicos nacionais, entre 2010 e 2020. Levantou-se os dados no Google Acadêmico usando o descritor “pedagogia decolonial”. Como resultados da análise quantitativa, despontaram: 51 artigos em revistas com Qualis Capes entre A1 e C; destes, 87% são de instituições públicas e 13% de privadas; percentual superior de publicações de autoria feminina com graduação, sofrendo leve baixa na especialização e mestrado e redução intensa no doutorado; e significante crescimento de publicações de autoria feminina principalmente em revistas de alto estrato. Porém, como bem apontam os 8 artigos eleitos para a análise qualitativa, ainda há para as mulheres um vasto e árduo percurso na conquista de posição, reconhecimento e permanência na pesquisa.


Palavras-chave


decolonialidade; gênero e sexualidades; mulheres na ciência; pedagogia decolonial; revisão sistemática de literatura

Texto completo:

PDF

Referências


AMARAL, I. G.; NAVES, F. O enfrentamento das opressões de gênero numa universidade pública: O papel dos coletivos na ótica do feminismo decolonial. Revista Brasileira de Estudos Organizacionais, Curitiba, v. 7, n. 1, p. 151-184, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.21583/2447-4851.rbeo.2020.v7n1.305. Acesso em: 26 maio 2022.

BALLESTRIN, L. América Latina e o giro decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política, Brasília, DF, n. 11, p. 89-117, 2013.

BORBA, C. dos A.; SILVA, F. M. da; ROSA, S. Y. S. da. Negra e Acadêmica: A solidão no diálogo entre pares nos espaços de poder. Caderno Espaço Feminino, Uberlândia, v. 32, n. 2, p. 129-145, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.14393/CEF-v32n2-2019-7. Acesso em: 26 maio 2022.

COSTARD, L. Gênero, currículo e pedagogia decolonial: anotações para pensarmos as mulheres no ensino de História. Fronteiras & Debates, Macapá, v. 4, n. 1, p. 159-175, 2018. Disponível em: http://dx.doi.org/10.18468/fronteiras.2017v4n1.p159-175. Acesso em: 30 maio 2022.

CRESWELL, J. W. Projeto de pesquisa: método qualitativo, quantitativo e misto. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.

DE NEGRI, F. Women in Science: still invisible? In: PRUSA, A.; PICANÇO, L. (org.). A Snapshot of the Status of Women in Brazil: 2019. Washington, DC: Wilson Center’ Brazil Institute, 2019. Disponível em: https://www.wilsoncenter.org/sites/default/files/media/documents/publication/status_of_women_in_brazil_2019_final.pdf. Acesso em: 25 abr. 2022.

FIGUEIREDO, A. Epistemologia insubmissa feminista negra decolonial. Tempo e Argumento, Florianópolis, v. 12, n. 29, p. 1-24, e0102, 2020. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/3381/338163000004/338163000004.pdf. Acesso em: 26 maio 2022.

JESUS, L. H. de. Professora, mulher negra e a lei da diversidade. Periferia, Duque de Caxias, v. 10, n. 2, p. 67-79, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.12957/periferia.2018.33613. Acesso em: 26 maio 2022.

LAJOLO, M.; ZILBERMAN, R. A formação da leitura no Brasil. São Paulo: Ática, 2001.

LEGRAMANDI, A. B. Formação continuada do professor de língua materna na Olimpíada de Língua Portuguesa: uma perspectiva decolonial. 2019. 208 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Nove de Julho, São Paulo, 2019.

LOURO, G. L. Corpo, Escola e Identidade. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 25, n. 2, p. 59-75, 2014. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/46833. Acesso em: 25 maio 2022.

LOURO, G. L. Mulheres na sala de aula. In: DEL PRIORE, M. (org.). História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2001. p. 443-481.

LUGONES, M. Colonialidade e gênero. In: HOLLANDA, H. B. de (org.). Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020. p. 52-83.

LUGONES, M. Rumo a um feminismo descolonial. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 22, n. 3, p. 935-952, set./dez. 2014. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/36755/28577. Acesso em: 22 abr. 2022.

MALDONADO-TORRES, N. Sobre la colonialidad del ser: contribuciones al desarrollo de un concepto. In: CASTRO-GÓMEZ, S.; GROSFOGUEL, R. (org.). El giro Decolonial. Reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Pontificia Universidad Javeriana – Siglo del Hombre, 2007. p. 127-167.

MALDONADO-TORRES, N. A topologia do Ser e a geopolítica do conhecimento. Modernidade, império e colonialidade. Revista Crítica de Ciências Sociais, Coimbra, n. 80, p. 71-114, 2008. Disponível em: https://doi.org/10.4000/rccs.695. Acesso em: 15 maio 2022.

MENDES, G. da S.; FONSECA, A. B. C. da. A questão de gênero numa perspectiva decolonial. Revista de Educação Popular, Uberlândia, v. 19, n. 1, p. 82-101, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.14393/REP-v19n12020-50181. Acesso em: 10 maio 2022.

MIGNOLO, W. Histórias locais/projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Tradução de Solange Ribeiro de Oliveira. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

OLIVEIRA, I. A. de; TEIXEIRA, H. T. G. C. L.; SANTOS, T. R. L. dos. Educação popular freireana e práticas educacionais interculturais: Sexualidade como tema gerador. Revista e-Curriculum, São Paulo, v. 16, n. 4, p. 1309-1333, out./dez. 2018. Disponível em: https://doi.org/10.23925/1809-3876.2018v16i4p1309-1333. Acesso em: 25 maio 2022.

QUIJANO, A. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, E. (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: Conselho Latino-americano de Ciências Sociais - CLACSO, 2005. p. 107-130.

RIBEIRO, J. O. S. A produção generificada do brinquedo de miriti: marcas de colonialidade. Revista Cocar, Belém, v. 13, n. 25, p. 136-159, 2019. Disponível em: https://periodicos.uepa.br/index.php/cocar/article/view/2180. Acesso em: 26 maio 2022

SCHIEBINGER, L. O feminismo mudou a ciência? Bauru: Edusc, 2001.

SOUZA, T. C. dos S. P. de. Modos de produção, publicação e circulação de textos de escritoras negras baianas. 2015. Dissertação (Mestrado em Crítica Cultural) – Universidade do Estado da Bahia, Alagoinhas, 2015.

SPIVAK, G. C. Pode o subalterno falar? Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.

TAVARES, M.; GOMES, S. R. Multiculturalismo, interculturalismo e decolonialidade: prolegômenos a uma pedagogia decolonial. Dialogia, São Paulo, n. 29, p. 47-68, maio/ago. 2018. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5585/dialogia.N29.8646. Acesso em: 23 abr. 2022.

WALSH, C. Interculturalidade crítica e pedagogia decolonial: in-surgir, re-existir e re-viver. In: CANDAU, V. M. (org.). Educação intercultural na América Latina: entre concepções, tensões e propostas. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2009. p. 12-43.

WALSH, C. Pedagogías decoloniales: prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir. Tomo I. Quito: Ediciones Abya-Yala, 2013.




DOI: https://doi.org/10.5585/41.2022.22474

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2022 Dialogia

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Compartilhar igual 4.0 Internacional.

Dialogia

e-ISSN: 1983-9294
ISSN: 1677-1303
www.revistadialogia.org.br

Dialogia ©2022 Todos os direitos reservados.

Esta obra está licenciada com uma Licença 
Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional